sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Diabetes na gestação


                O diabetes é o aumento dos níveis de glicose no sangue. Existem vários tipos de diabetes, mas os mais conhecidos são o tipo 1 (normalmente ocorre em crianças e adolescentes) e o tipo 2 (mais comum em adultos). Durante a gestação, o diabetes pode ocorrer de duas formas: mulheres previamente diabéticas (tipo 1 ou 2) que engravidam ou mulheres normais que desenvolvem diabetes durante a gestação (diabetes gestacional). Alguns pontos devem ser reforçados na distinção entre essas duas situações. O diabetes gestacional ocorre no segundo ou terceiro trimestre de gestação. Quando o diagnóstico de diabetes é realizado no primeiro trimestre, a mulher deve ser considerada como tendo diabetes tipo 2 previamente não reconhecido. A importância de se diferenciar estes dois casos é devido ao fato de o diabetes gestacional normalmente se resolver após o parto (apesar de uma maior chance de estas mulheres desenvolverem diabetes tipo 2 posteriormente), enquanto no diabetes tipo 2 isto não ocorre. Além disso, o diabetes gestacional é, em geral, de mais fácil controle que os diabetes tipo 1 ou 2.




Mulheres com diabetes que desejem engravidar devem tentar programar a gestação de maneira que os níveis de glicose no sangue estejam normais antes da concepção. Isto é muito importante, uma vez que níveis elevados podem levar a malformações, que ocorrem nas primeiras oito semanas de gestação, ou aborto espontâneo. Mas caso a mulher engravide e não esteja com controle ótimo do diabetes, não há motivo para desespero. Com tratamento adequado é possível alcançar níveis normais de glicose no sangue em pouco tempo. Para isso, a mulher deve procurar atendimento médico especializado assim que for confirmada a gestação.





O diabetes gestacional é diagnosticado pelo Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG), que deve ser realizado por todas as gestantes não previamente diagnosticadas com diabetes entre a 24ª e 28ª semanas de gestação. Mulheres que apresentem antes da 24ª semana uma glicemia acima de 92 mg/dL devem ter seu TOTG adiantado. O TOTG consiste na administração de 75 g de glicose com coleta de sangue antes da administração, 1 e 2 horas após. Caso qualquer um dos valores antes, 1 e 2 horas após forem maiores que 92, 180 ou 153 mg/dL respectivamente, o diagnóstico de diabetes gestacional está confirmado.

Pacientes com diabetes gestacional devem ser tratadas inicialmente com dieta e atividade física, além de perda de peso caso se encontrem com sobrepeso ou obesidade. Até 85% das gestantes com diabetes gestacional conseguem atingir níveis normais de glicose apenas com estas medidas. Se o controle não for alcançado, tratamento com insulina deve ser utilizado. O tratamento das mulheres previamente diabéticas é bastante semelhante, no entanto o uso da insulina é muito mais frequente nestes casos e é importante reforçar que não existem dados consistentes de segurança do uso de medicações orais para o diabetes durante a gestação, portanto o tratamento medicamentoso se restringe a insulina.






A automonitorização da glicemia capilar (teste para checar os valores da glicose realizado pelo paciente) é de extrema importância para o controle do diabetes. A manutenção de níveis normais de glicose é essencial para diminuir os riscos associados com o diabetes durante a gestação, que incluem pré-eclâmpsia, macrossomia (crescimento exagerado do feto), morte intrauterina, hipoglicemia neonatal (baixa de glicose no feto logo após o parto), tocotraumatismo (lesões no feto durante o trabalho de parto). É importante reforçar que o controle adequado dos níveis glicêmicos reduz significativamente o risco destas complicações. São considerados valores normais: 95 mg/dL antes das refeições, 140 mg/dL após 1 hora da refeição e 120 mg/dL após 2 horas (desde que a gestante não apresente hipoglicemias). Estes valores de normalidade devem ser individualizados e serão estipulados pelo endocrinologista assistente de acordo com os riscos e benefícios para cada gestante.


Ambas as vias de parto, normal ou cesárea, podem ser utilizadas nas gestantes com diabetes, a depender da preferência da gestante e de suas condições clínicas. Essa decisão deve ser tomada em conjunto pela gestante, obstetra, endocrinologista e demais profissionais que estejam acompanhando a gestação. Devem ser pesados os riscos e benefícios de cada abordagem, para que seja escolhida a melhor via. Pelo risco de morte intrauterina, macrossomia fetal e tocotraumatismo, não é recomendado o prolongamento da gestação, principalmente nas gestantes em uso de insulina. Após 40 semanas (ou até 38 semanas nas gestantes em uso de insulina) pode-se oferecer tanto a indução do parto quanto a cesariana eletiva, de acordo com as condições clínicas da gestante e do feto.









Como exposto acima, o diabetes durante a gestação pode levar a riscos tanto para a gestante quanto para o feto, os quais podem ser minimizados com um tratamento adequado. Este tratamento envolve dieta, atividades físicas e, em alguns casos, medicamentos (insulina). Para isso, é imprescindível uma equipe multidisciplinar composta por obstetra, endocrinologista, nutricionista e, se possível, um preparador físico. Estes profissionais devem estar em constante diálogo, com o intuito de proporcionar o melhor cuidado pré e pós-natal para a gestante e o bebê.








Texto:
Dr. Luiz Eduardo Armondi Wildemberg
Endocrinologista
CRM-RJ 52740047

A publicação das fotos foi autorizada pela gestante.


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