sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Humaniza, SUS

Humaniza, SUS


Carolina é mesmo uma mulher de sorte. 

Carolina tem 35 anos, é casada e tem 3 filhos. Por três vezes, Carol foi ao hospital, onde, de maneira respeitosa e humanizada, deu à luz os seus filhos. Ela teve a companhia do seu esposo do início ao fim da internação. Ele segurou sua mão, fez carinho em seu rosto, aparou suas lágrimas e ajudou com o bebê. Carolina tem um bom plano de saúde, fez o pré-natal direitinho, teve acesso rápido a médico e exames, tomou todas as medicações e passou creme na barriga pra não ter estrias. O hospital que Carolina procurou é um dos melhores hospitais privados da sua região.

Maria Luíza não tem tanta sorte assim.

Maria Luíza também tem 35 anos, também é casada e teve 4 filhos. Maria Luíza teve seus meninos numa maternidade pública. Ela não tem plano de saúde. Sentiu as dores e chorou sozinha. Evitou gritar para não incomodar as outras grávidas que pariam na maca ao lado. Maria Luíza pariu no SUS. 

Mas por que Carolina pôde contar com a presença do seu esposo na hora do parto e Maria Luíza não?

Cada parturiente tem o direito a um acompanhante de sua escolha durante todo período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. De acordo com o MPF, impedir o acompanhamento de alguém de confiança no parto também é uma forma de violência obstétrica.

Apesar de ser garantido por lei, o SUS não apresenta estrutura para garantir que o direito das gestantes a um acompanhante, no quarto, na hora do parto, seja assegurado. No SUS, as gestantes em trabalho de parto ficam horas numa enfermaria coletiva até chegar realmente a hora de ir para o Centro Obstétrico, seja para um parto vaginal, seja para uma cesariana. São as chamadas salas pré-parto.

Agora imagine, como é que, em uma enfermaria coletiva, um pai pode acompanhar o nascimento do seu filho sem comprometer a privacidade das outras gestantes? Difícil... 

Peguei uma foto ilustrativa para vocês terem uma ideia mais ou menos de como funciona:


Fonte: Google

Percebam que essa foto é mesmo só ilustrativa, tudo iluminado, limpinho, tem até ar condicionado. 

No SUS a falta de leitos faz com que, muitas vezes, a sala pré-parto vire sala pós-parto e as gestantes sejam obrigadas a passar por todo período de trabalho de parto em cadeiras e macas espalhadas pelos corredores: 


Fonte: G1

Essa maternidade aí de cima até já ganhou prêmio de referência em parto humanizado (?!). Veja a reportagem completa aqui e sinta o sofrimento das parturientes e de seus companheiros. Como garantir o direito do pai de acompanhar o nascimento do próprio filho numa situação dessas?

A mesma falta de leitos e estrutura física fez com que, outro dia, uma grande maternidade do DF acomodasse as pacientes em colchões no chão, no pós-parto imediato, com seus bebês recém-nascidos e que mais de um bebê tivesse que dividir o mesmo berço, por falta de berços... 



Fonte: G1
Fonte: G1



Uma pesquisa rápida bastou para descobrir que essa maternidade chegou a realizar 534 partos em um só mês. Então pense: 534 mulheres por mês, de apenas uma maternidade, de apenas uma cidade... Agora multiplica. Esse é o tamanho da violência obstétrica no nosso país. 

Não é justo com Marias Luízas que somente Carolinas tenham direito a um parto humanizado. Não é justo que somente quem pode pagar um plano de saúde ou bancar partos de mais de 10 mil reais tenham direito a um tratamento respeitoso. As Marias Luízas também são vítimas de violência obstétrica. Lutemos por Maria Luíza! Humaniza, SUS!


#humanizaSUS










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