segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Pré-Natal. Aqui começa o respeito.

Quando a mulher engravida um horizonte novo se abre num mix de alegrias, medos e responsabilidades. A primeira coisa que uma grávida pensa, antes mesmo de contar para a família inteira, ou de sonhar com o quartinho do bebê, é em marcar com urgência o seu pré-natal.  É nesse exato momento em que a gestante faz sua primeira escolha: a de quem vai acompanhá-la

Pensando em como as gravidinhas ficam perdidas neste novo mundo, fizemos um roteiro das coisas mais importantes que precisam saber: como funciona o pré-natal e para que serve.

O pré-natal tem como principais objetivos:

- Passar orientações e informações de forma clara, objetiva, respeitosa e digna colocando a gestante, o seu companheiro e seus familiares em total capacidade de decidir sobre os cuidados da mãe e do seu bebê.

- Orientar sobre queixas comuns na gestação - o organismo da mãe se modifica durante a gestação. Essas modificações são fisiológicas e por isso normais, mas causam sintomas. Então, mesmo sem doença, gestantes podem ter sintomas como tontura, enjoo, desmaios, dor nas costas, hemorroidas. Algumas vezes são tão intensos que precisam ser medicados;

- Orientar suplementação de ácido fólico até 12 semanas, vitamina D durante toda a gestação e ferro, quando necessário;

- Orientar sobre vacinações na gestação: gripe, hepatite B e DTpa;

- Orientar os hábitos da vida diária, como beber, fumar, pintar o cabelo, atividade física;

- Orientar os direitos - como licença maternidade;

- Orientar sobre as vias de parto: seus riscos e benefícios, além de esclarecer sobre os procedimentos necessários, rotineiros e eventuais em cada tipo de parto;

- Estimular a amamentação;

- Avaliar alterações psíquicas ou psicológicas durante a gestação e no pós parto, dando apoio e orientando o tratamento quando necessário;

- Identificar doenças pré-existentes ou de início na gestação e, assim, perceber qual gestante vai precisar de cuidados adicionais, ou seguir para realização de exames mais específicos de acordo com a sua alteração.

Na primeira consulta são feitos a história, o exame físico e os exames complementares, para identificar a gestante que já é de alto risco.  A cada consulta, é feita a pesquisa de queixas; a verificação do peso e da pressão arterial, a medida do útero, a escuta do bebê. Os exames de sangue, urina e ultrassonografias também são repetidos regularmente.





Então, seguem as seguintes etapas:

- Anamnese – é uma história completa da gestante. Aqui são feitas perguntas como idade, doenças existentes, história de gestações anteriores, doenças na família, hábitos;

- Exame clínico completo - peso, pressão arterial, exames do coração, pulmão;

- Exame obstétrico - é o exame que mede o tamanho do útero para acompanhar o crescimento do bebê e escuta os batimentos do coraçãozinho;

- Exame ginecológico - procura doenças nas mamas, vagina, colo do útero. Identifica corrimentos e doenças sexualmente transmissíveis;

- Exames de laboratório - exames de sangue e urina, que detectam doenças;

- Ultrassonografia obstétrica - rastreio de síndromes cromossômicas, formação fetal, cordão umbilical, placenta e líquido amniótico.

As doenças podem, então, ser detectadas na história, no exame físico, nos exames de laboratório ou na ultrassonografia.  E se detectadas intercorrências clínicas ou obstétricas, estas serão tratadas ou acompanhadas. 

Uma vez classificada como de alto risco, a gestante é encaminhada para um pré-natal especializado, e aí, além da rotina básica de pré-natal, irá realizar outros exames regularmente, de acordo com o protocolo da alteração detectada.

Caso não seja constatado nenhum problema, ela manterá o acompanhamento conforme a rotina habitual do pré-natal nas consultas de retorno.


A gestação já pode ser considerada de alto risco desde o princípio nos casos de doenças maternas prévias como hipertensão, diabetes, lúpus, hiper/hipotireoidismo, câncer e outras. Ou ser classificada inicialmente de risco habitual, mas, por alguma intercorrência clínica ou obstétrica, passar a ser de risco aumentado. Esse risco pode aparecer a qualquer momento.


Quando nos referimos a intercorrências clínicas, estamos considerando doenças que podem aparecer mesmo fora da gestação, por exemplo, pneumonia, infecção urinária, câncer.

Quando falamos de intercorrências obstétricas, estamos falando das que só existem na gestação. Portanto, qualquer grávida pode apresentar:

- Hemorragias (ameaça de abortamento, descolamento de placenta, placenta baixa);
- Diabetes gestacional (aumento do açúcar no sangue que aparece na gravidez);
- Pré-eclampsia (pressão alta na gestação);
- Ameaça de parto prematuro;
- Miocardiopatia peri parto (uma doença rara do coração)
- Gestação gemelar
- Placenta prévia (baixa)

Muito se tem falado sobre os riscos de cada tipo de parto.

A ocorrência de morte no parto é rara e, geralmente, evitável. Na maioria das vezes, acontece por negligência em alguma etapa da assistência, e não pelo parto em si.




Onde pode estar o erro que aumenta o risco de morte ou sequelas para mães e bebês no parto?

- No pré-natal, que não detectou riscos ou intercorrências;
- No acompanhamento do trabalho de parto, que não diagnosticou e reverteu imediatamente as complicações;
- No parto, onde a via do parto não foi indicada de forma adequada ou não foram executadas as manobras necessárias na vigência de complicações;
- No pós-parto, onde complicações da mãe e do bebê foram negligenciadas.

O pré-natal visa o nascimento de um bebê saudável, sem prejuízo à saúde materna. Para isso, o pré-natal tem como principal objetivo detectar o alto risco. Cerca de 10% das gestações precisam de acompanhamento especial por doenças maternas ou fetais.

Como podemos ver, o pré-natal é fundamental e deve ser feito sempre por profissionais capacitados. Sem pré-natal adequado, deixamos de prevenir doenças, diagnosticá-las precocemente e tratar imediatamente as complicações. Um acompanhamento de pré-natal bem conduzido pode salvar vidas! 

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