quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Todo extremismo é perigoso #priscilla #pararefletir

Priscilla quando engravidou pensou em ter seu parto normal. Foi levada a escolher um médico da sua cidade que era conhecido por parto humanizado. Mas não imaginou que para este médico era mais importante a via de parto para engrossar a sua estatística do que o bem estar da mãe.
Nestes extremismos o importante é nascer por normal  não importando as consequências. E depois de feitas as escolhas do tipo de profissional que vai te acompanhar o arrependimento vem em uma hora que não dá para voltar atrás. 
Aqui ela tem coragem de contar sobre este parto que a deixou com sequelas físicas e emocionais para que outras mulheres tenham mais informação antes de escolher.

Meu nome é Priscilla, tenho 35 anos, vou contar minha história.

Imagina, uma mãe saudável, que pensa em fazer parto normal, mas seu bebê não está numa posição favorável, segundo os médicos que fizeram suas últimas ecografias. Ela questiona o médico em sua última consulta antes do parto, indagando sobre uma possível cesariana, mas o médico, defensor do parto humanizado, diz que o parto normal é o melhor para mãe e para o bebê e que a posição do bebê não era impedimento, que só seria mais difícil o trabalho de parto.


Pois bem, o trabalho de parto não foi tão ruim assim, durou apenas 3 h. Quem diria? Mas o período expulsivo, ao contrário do que todos imaginavam, não foi tão fácil, durou cerca de 6 horas. Digamos que o médico teve que colocar a mão entre as membranas do saco amniótico e a parede do útero e empurrar as paredes do útero, para ver se induzia o parto. Essa manobra é considerada aceitável, geralmente uma vez basta, porque funciona e também dói muito. Digamos que o médico fez isso umas 20 vezes ou mais, no desespero... não funcionou.

A mãe, desesperada, quase morre, clama a Deus por socorro, pede por uma cesariana, mas já não era mais possível fazer a cesariana. Na sala de parto estava uma outra equipe médica, outro obstetra que tenta ajudar e fazer com você posições de malabarismo, que ninguém se julga capaz de fazer em tal situação, foi administrado a ocitocina... anestesista de plantão, várias enfermeiras... muita tensão. Seu marido ali, o único que parecia estar calmo e querer passar tranquilidade e confiança pra mãe, ele passou a ser a força que ela não tinha mais. A exaustão era profunda, desespero na cara de todos.  Horas se passaram e ela começa a escutar o clamor a Deus, desesperado, de sua mãe lá no corredor do hospital.

Seu marido entra na banheira com ela, segura a corda pra ela pendurar, está ao lado dela na barra para agachar, faz massagem nela quando esta de cócoras... e esse ciclo se repete várias vezes... Ela olha pra ele, e ele: “Vai amor, você vai conseguir...”.

Resumindo, o bebê nasceu, saudável, faminto... A mãe, desfaleceu, tremia de quicar na maca... “mãe, mãe, sua filha nasceu !”, o médico tentava acordá-la. Mas ela não conseguiu presenciar esse momento mágico.

O bebê nasceu no domingo, a paciente liga para o médico e manda mensagens perguntando quando ele iria passar no quarto para vê-la. Na quarta-feira a enfermeira liga para o médico várias vezes perguntando se ele não vem ver sua paciente, pois ele ainda não tinha aparecido para ver se a paciente ficou bem após o parto, apesar de ter ido todos esses dias no hospital para ver outras pacientes. De fato, se ele tivesse ido, teria constatado que ela não estava bem. Até uma amiga levou psicólogo para conversar com ela, pois percebeu que tinha algo errado. Os pediatras diziam: “o bebê já pode ir para casa, mas eu não vou dar alta ao bebê por conta do estado da mãe”. Acho que ele deve ter ficado com medo de encarar a família.

O médico, que se diz pró parto humanizado, era contra a episiotomia. Quando o bebê foi nascer ele, com o dedo, fez uma laceração no canal vaginal para que o bebê passasse. Os pontos foram rejeitados pelo organismo e abriram, mas é claro que ele não viu, pois até então não tinha ido visita-la no hospital.

Na quinta-feira, a mãe acorda desesperada, sai pelo corredor do hospital e agarra o colarinho do médico desconhecido que passava por ali: “ Se o senhor não me der alta, eu saio correndo do jeito que estou e fujo, deixo tudo para trás!”  O médico então, viu que ela não estava bem, prescreveu medicação e deu alta à paciente, com a promessa de que ela procuraria um especialista ao sair dali.

A mãe volta pra casa, o bebê, hoje, tem 10 meses... A mãe? Ainda em tratamento, o parto deixou sequelas.

Essa mãe sou eu, mato um leão por dia, enfrento meus medos e consequências que esse parto me trouxe até hoje, todo os dias há algo que preciso passar por cima, inclusive a culpa que não tive.

Hoje, eu não comemoro o meu parto normal, não comemoro não poder passar as primeiras semanas da minha filha ao lado dela com o prazer de ter me tornado mãe, muito menos, não comemoro uma amamentação que não pude dar.

Hoje eu comemoro a vida, a dela e a minha. Um pedaço de mim que alegra meus dias e deu sentido para minha existência. 

O tipo de parto está virando uma ideologia, quando deveria girar em torno do bem-estar da mãe e do bebê. Foi por conta de uma ideologia que tudo isso aconteceu comigo. O parto normal não era o melhor pra mim e pra minha filha. Não tem sido melhor até hoje.




Não sou contra o parto normal, ainda tenho mais medo da cesariana e tentaria ter o parto normal no meu segundo filho, se realmente ele for o melhor para mim e para o bebê.

Se eu pudesse prever o futuro, a cesariana seria a minha primeira opção.

Somos livres e essa é uma escolha pessoal, não tem que ser alvo de discussão.

Concordo com uma amiga quando diz que muitas pessoas estão com valores invertidos, estão comemorando o tipo de parto e não a vida!


Um comentário:

  1. Posso imaginar como deve ser difícil processar tamanha violência. Também tive um parto traumático e carrego sequelas dele, ainda assim acredito que cada parta é diferente um do outro, e hoje com a maturidade que temos faremos melhores escolhas. Espero que seu próximo parto seja lindo e que vc se sinta plena. Que seu bebê nasça saudável e que você se recupere rápido. Namastê!

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