quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Fabrina ! O Relato de uma Doula.

Há algum tempo conheci o relato da Monique Minatelli e nele ficou evidente o papel de uma pessoa que fez toda a diferença no desfecho positivo do seu parto. Sua doula ! E por isso me interessei em conversar com ela. Conheci Fabrina através do facebook. Algo me dizia que ela teria muita coisa para me ensinar. Vi, ali, uma Doula sensível e que transmitia respeito por sua profissão. Mas, principalmente, respeito ao próximo.
Sabemos que existe uma “briga” entre os médicos e as doulas. Muitas vezes, por sua interferência no trabalho médico, outras vezes por não concordarem com intervenções desnecessárias. Mas, histórias como essa, mostram que estes dois profissionais podem se complementar. Sensata e franca, Fabrina nos dá a sua visão do papel da doula na assistência ao parto.
Para a Visão de Ilitia, só basta agradecer e desejar que doulas como você existam cada vez mais. Que se formem Fabrinas ! As mulheres só tem a ganhar.





"O radicalismo não cabe em mim. Podem me julgar... acredito que nunca iremos agradar a todos, sempre teremos os a favor e os contra.

Recebi um convite para falar sobre o papel da Doula dentro da minha visão!!

Desculpe-me se a minha forma de agir e trabalhar não agrada a 100% dos leitores, nem busco isto. O que busco é o respeito por todas as partes... todas!! Tenho notado que a vontade da mulher moderna em ter ou, ao menos tentar, um parto via vaginal vem crescendo. Para isto ela pode contar com grupos de apoio, médicos e nós, Doulas.


Sou formada há 14 anos em fisioterapia, me especializei em fisioterapia obstétrica e sou doula há quase 4 anos (atuante mesmo há 1 ano e 7 meses). Acho que tive sorte assim que comecei minha atuação, doulas antigas passaram por muitas dificuldades para conquistarem reconhecimento, espaço e credibilidade. Parabéns à todas aqui de minha cidade Campo Grande (MS)! Reconheço a luta de vocês.


Alguns médicos criticam as doulas, talvez por falta de conhecimento do seu real papel/assessoria à gestante, ou por não terem tido uma boa experiência com algumas de nós. Sendo assim, tento deixar claro, pra mim, Fabrina, o papel de uma doula.

A doula oferece apoio emocional e físico antes, durante e após o parto. Fornece informações e auxilia a gestante (ou casal) na preparação para o parto e puerpério, contribuindo para que a mulher possa se empoderar, resgatar e fortalecer sua confiança no processo natural de parir. 

A doula não executa nenhum procedimento médico, não faz auscultas, toques e etc.. Portanto, doula não pode fazer um parto, muito menos interferir nos procedimentos de um médico, enfermeira obstetra ou obstetriz contratada para um parto domiciliar. O médico é o profissional capacitado para tal, estudou para isto. Os outros profissionais também. 

Sabe-se, também, que antes de os médicos existirem, as mulheres pariam e hoje continuam, só que hoje o parto se tornou mais hospitalizado, isto na realidade brasileira. O parto, ou seja, a vontade de ter um parto normal e não uma cirurgia cesariana não vem acompanhada, na minha opinião, só pela vontade da mulher em parir e ponto. Do contrário, ela não precisaria de um médico, um hospital ou uma enfermeira obstétrica, se o seu desejo for parir em casa, num parto domiciliar.




O parto seguro tem que ter assistência adequada!!

O parto, pra mim, também depende do PROFISSIONAL que irá assistir, auxiliar e ajudar esta parturiente. De que adianta ela querer tanto um parto normal se não estiver com uma equipe que tornará este parto o mais próximo do normal e sem intervenções de que seu corpo NÃO precisa?? Por que tanto ataque?? Por que médicos e doulas se “estranham”?? Por que tudo isto, se nossa única preocupação é o bem-estar físico e emocional da gestante??

Infelizmente, não tive uma boa experiência com meu primeiro acompanhamento em um parto domiciliar e, então, deixei de doular em partos domiciliares.

E estou aqui não só pra falar desta péssima assistência por parte da enfermeira obstetra que teoricamente assistiu a este parto domiciliar como também dizer que tenho orgulho em dar assistência às parturientes em partos hospitalares respeitosos e assistidos por médicos realmente humanizados.


Para tanto, volto a deixar claro meu ponto de vista com relação à assistência, ela é importante independente do local em que você, mulher, queira parir!! Busque relatos, leia mais sobre o assunto, você tem tempo pra isto sim... Corra atrás, não deixa pra última hora! 

Recentemente veio a óbito uma mulher em São José do Rio Preto, e o que eu vi nas redes sociais me inspirou a escrever isto agora. Muitas pessoas criticaram o médico que a operou no hospital. Segundo alguns relatos, ela vinha há 2 dias tentando um parto domiciliar. Foi removida para o hospital e lá faleceu após a cesariana. Agora iremos acusar quem?? O médico que assistiu esta moça nos finalmentes?? Vamos acusar a “parteira”, a doula?? Vamos acusar o casal que optou por este parto domiciliar? Ou vamos acusar a fatalidade?? Não sei... prefiro não ser radical a ponto de apontar o dedo e criticar.


Em partos hospitalares em que já doulei, vi a importância de se realizarem alguns exames e até mesmo intervenções que julgam-se desnecessárias, mas aqui entre nós, um exame de cardiotocografia num trabalho de parto arrastado, mecônio, que de fluido começa a ficar espesso, e BCFs* que começam a diminuir, é muito bem-vindo... vcs não acham?

Já presenciei partos com presença de mecônico que puderam seguir em frente, ao mesmo tempo, outros tiveram indicação de cesariana!! O que dizer do uso da ocitocina na fase adiantada de trabalho de parto ou até mesmo no expulsivo em que as contrações param?? Parar tudo e esperar que a ocitocina volte a agir no corpo desta mulher, ou colocar a tão “temida” ocitocina sintética??


Não sejamos tão radicais! A Humanização não está no radicalismo e sim na realidade possível!

Agora, que venham as críticas."


5 comentários:

  1. Muito bom o teu texto. Não tenho críticas à você, apenas algumas dúvidas. Pelo que está escrito você atendeu a um parto domiciliar feito por uma enfermeira obstetra, que segundo relatos, não foi bem conduzido (não a conheço e não ouvi a versão dessa minha colega) e tem assistido partos humanizados conduzidos por médicos no ambiente hospitalar. Você mesma afirmou que o radicalismo não lhe cabe, entretanto sobe à tona uma "quase" generalização com relação à partos conduzidos por enfermeiras obstetras e, acredite, tem muita gente boa por ai!!
    Com relação à minha querida colega, de São Carlos que, após complicações foi transferida para São José do Rio Preto, onde faleceu, o teu texto traz informações inverídicas. Mariana entrou em trabalho de parto e foi submetida a cesariana no mesmo dia e não dois dias depois como você afirma. Essa informação errada foi trazida por pseudo-jornalistas mal informados, do mesmo nível dos que publicaram uma matéria do paciente que estaria com "duas agulhas esquecidas no calcanhar" quando se tratam de fios metálicos, de fixação da fratura.
    Veja, nós, profissionais, devemos ser cautelosos naquilo que afirmamos e, especialmente, naquilo que publicamos.
    Sugestões de retificação em teu texto à parte, gostaria de parabenizá-la pelo seu empenho em ajudar as mamães a parirem com o máximo de conforto e dignidade possíveis.

    Em tempo: conheço excelentes parteiros, humanizados e fundamentados nas Praticas Baseadas em Evidências e, estes são médicos ou enfermeiras obstetras.
    Entendo que você precisava escrever isso até como tentativa de melhorar a aceitabilidade das doulas pelos médicos, mas, tente ver o lado das enfermeiras obstetras que se mantém atualizadas e investem numa assistência profissional adequada e digna...
    Um carinhoso abraço
    Sandra L. Felix de Freitas
    Enfermeira Obstetra
    Docente no Curso de Graduação em Enfermagem da UFMS

    ResponderExcluir
  2. Bem, compreendo sua colocação Sr. Sandra. O radicalismo que não cabe em mim é o atacar profissionais como a senhora, os médicos e quem mais cuida da mulher em seu momento de trazer seu filho ao mundo! Não chego ao hospital desrespeitando ninguém, nem mesmo a tia da limpeza! Pra mim, eu, você o médico e a tia da limpeza somos todos iguais!! Agora se alguém me atacar, talvez eu a ignore ou responda, pois não tenho sangue de barata né rs. Como te disse em outra postagem, tudo que foi publicado e onde fui marcada sobre este caso em questão que a senhora está debatendo, dizia 2 dois dias, então pode ter sido exagero sim de jornalistas e tal. Realmente há uma briga muito grande entre não somente médicos e enfermeiras obstetras, médicos e doulas, enfermeiras obstetras e doulas e etc :( Eu graças a Deus não brigo com ninguém, só não tive muita sorte neste meu primeiro e único parto domiciliar. Não briguei nem discuti nem com a "parteira", pois ela me excluiu imediatamente no dia seguinte do ocorrido!Creio que ficou com vergonha do que fez! O que aconteceu foi que a gestante fez seu relato e publicou, isto é problema dela né! Não fui eu!! Respeito e até indico uma enfermeira obstetra aqui de minha cidade, pra quem me procura pra parto domiciliar. Resumindo, sou contra a péssima assistência ao parto!! E nós sabemos que tem sim, muito desrespeito por aí!! Mas também há bons corações, obrigada por ter um bom coração! E vou pedir sim, diante do que você está falando, pro pessoal do blog corrigir a parte que falo 2 dias!!! Obrigada.

    ResponderExcluir
  3. Bem... Parto domiciliar não tem hora de entrada e nem prontuário; então só quem sabe a verdade é quem estava lá e não a faculdade. O que eu creio que você estava querendo afirmar que foi "comunicado" foi Relatado pelo Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos!! Talvez foi repassado para os jornalistas a fase em que a gestante entrou na fase latente, não seria isto?? Por isto volto a afirmar, que parto é informação, leitura e expectativa (esperar!!!!)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito boas e pertinentes as suas respostas, Fabrina. É bom dialogar com quem o sabe fazer. Eu entendi que a manifestação por parte do Departamento de Enfermagem da UFSCAR se deve ao fato de que ambas, parturiente e a enfermeira que a acompanhava naquele sábado, serem docentes na instituição. Agora, quanto ao número de horas de TP, ambas sabemos que, estando ambos em boas condições, sem jejum prolongado, sem sinais de sofrimento, ele pode demorar até mais que 48 horas. Não é isso que provoca as complicações. As hemorragias pós-parto por atonia, devem-se, especialmente, ao expulsivo prolongado.
      Bem, no mais, o corpo da querida Dra. Mariana foi para o IML e aguardam os resultados (cerca de 60 dias) e o COREN/SP abriu sindicância para avaliar se houve falha da profissional enfermeira. Até onde sei, ela está inocente e tomou todas as condutas adequadas. Enfim... Vamos aguardar o IML. Eu realmente acho que foi uma fatalidade e não imperícia, seja da enfermeira ou do cirurgião. Muito triste tudo isso né? Abraços

      Excluir
    2. Gostei muito do depoimento dessa profissional. Uma desse tipo eu gostaria que me ajudasse, não uma maluca que acende vela e quer armar uma piscininha de plástico no meio da minha sala para eu parir dentro! E quanto à moça que morreu: óbvio que deu coisa errada no parto domiciliar. Se não tivesse dado a militante jamais sairia do "conforto" de sua casa atrás da odiada analgesia em um hospital. Infelizmente morreu e deixou uma criança que, esperemos, tenha poucas ou nenhuma sequela.

      Excluir