quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Parto Ideal x Parto Real pela Visão de uma Psicóloga



Conheci a psicóloga Renata Duailibi há cerca de dez anos, quando trabalhamos juntas num serviço de Medicina Fetal (fetos com malformações). Desde então, acompanho e admiro seu trabalho, pois mostra larga experiência com gestantes, puérperas e perdas gestacionais. 

Mesmo antes do relato de J.,SP, eu já tinha solicitado sua colaboração para o blog. O texto que se segue caiu muito bem nesse momento. 

Eis a visão de uma profissional comprometida e esmerada em informar, orientar e acolher mulheres, dando ouvidos a suas angústias, dúvidas, desilusões, frustrações e luto, seja durante a gestação, o parto ou o puerpério, trabalhando com equipes que se preocupam com respeito e humanização. 


Segue o primeiro texto de outros que virão! 


Parto Ideal x Parto Real
























Como psicóloga, atuando com gestantes e puérperas desde 2001, atendo vários casos onde mães chegam frustradas com o desfecho da gravidez, seja por uma perda gestacional, seja por um parto que não transcorreu como ela desejava, seja  por complicações na gestação e/ou no puerpério.




A gravidez é um período de crise e de expectativas. A ansiedade permeia os meses de gestação e é comum a gestante imaginar como será o parto e idealizá-lo de acordo com os seus anseios.  


A mulher tem que se preparar (com a ajuda do seu médico assistente, sua doula, seu marido, sua enfermeira...) para a imprevisibilidade do parto, pois mesmo com um plano de parto preparado com todo o cuidado e primor, nem tudo pode sair como o planejado.


Mesmo que a gestante tenha se preparado para o parto natural, feito yoga, participado de rodas e grupos de apoio, escolhido uma equipe alinhada com a humanização do parto, no fim, tudo pode terminar com uma cesárea ou outro procedimento não esperado.


Ela é menos mulher por isso? Não é uma mãe competente por não ter tido seu filho de maneira natural? Qual é a maneira natural de parir? Na banheira? Em casa? No hospital? 

Penso que o “ideal” é um conceito particular. O “ideal” é o perfeito para AQUELA MULHER, naquele contexto, naquela situação. Cada gravidez é única. Ninguém vai viver esta experiência da mesma maneira, pois ela pertence somente àquela mulher.  




Fonte: http://www.alobebe.com.br/_images/_files/_cache/resize_270_270_maosdeadultoebebe_rev47.jpg
























E a pergunta que eu me faço, em cada caso que acompanho, é: o que essa mulher em particular deseja? A gravidez? O parto? O bebê?

Um bebê saudável, um parto sem sequelas para ambos, e a certeza de estar levando seu filho para a casa, por si só, já é um belo desfecho!



Renata Duailibi
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