quinta-feira, 29 de outubro de 2015

DITADURA DA VIA DE PARTO: PARA NÓS E PARA AS CELEBRIDADES


Discussões acerca de gestação, parto e amamentação nunca estiveram tão em voga. 

Gente para meter o bedelho na vida da gestante sempre existiu. Mas, o que se vê atualmente é uma imensa pressão sobre as mulheres no que diz respeito às suas escolhas no pré-natal e, principalmente, quanto à via de parto. 

Dois extremos - naturalistas e cesaristas – trocando ofensas entre si e atacando pessoas comuns em redes sociais, devido à sua opção por certo tipo de parto. 

O que mais nos entristece nesse cenário é perceber que algumas páginas e blogs sobre o tema não estão preocupados em informar as gestantes, mas, sim, em mostrar sua superioridade, tentando provar suas teorias na base do grito e do deboche. 

Parece mais uma guerra de torcidas! 

Mantras e frases de efeito são criados para conseguir adeptas e repelir opiniões distintas. Textos e trabalhos de confiança duvidosas são citados. Interpretações são distorcidas.  

E onde ficam as gestantes no meio disso tudo? 

 As gestantes ficam completamente perdidas e, sem a informação adequada. Acabam se vendo obrigadas a escolher um dos lados.

Se essa situação já é complicada para as pessoas comuns, imagine para as celebridades! Sim, existe a questão da exposição voluntária da celebridade em publicar os detalhes sobre a gestação e o parto, mas, vamos combinar que o assédio da mídia colabora, né? 

E não tem muito como fugir dessa cultura do parto. A cobrança é imensa!

Nós reunimos alguns desses casos de partos de celebridades que tiveram destaque na mídia nos últimos anos.



1) JULIANA PAES


O nascimento do seu primeiro filho foi por cesariana, após a tentativa de parto normal. Ao engravidar do seu segundo filho, ela decidiu por um parto normal novamente. Logo, surgiram reportagens sobre a maternidade, que destacavam seu desejo pelo parto vaginal e outras como essa:  Juliana Paes recorre a um centro espírita para ter seu filho por parto normal”.  (Leia aqui e aqui)

Fato é que a atriz teve parto cesárea na noite do sábado dia 21/07/2013, após rompimento da bolsa. (Leia aqui)

E lamentavelmente acabou sendo alvo de matérias com títulos como: “Princesa faz parto normal e plebeia faz cesariana”, que comparam a atriz com a princesa Kate Middleton que acabara de ter um parto vaginal. (Leia aqui)



2) GUILHERMINA GUINLE



Durante sua gestação, deu entrevistas onde colocava o parto normal como sua primeira opção.

"Faço pilates, vi uma grávida fazendo até uma semana antes de parir e achei muito legal. Estou fazendo caminhada também. Mas tem muita mãe que quer ter o parto normal e na hora acontece alguma coisa que não dá. Mas eu vou fazer de tudo porque sempre o mais natural é o melhor caminho”, opinou. "Se tudo correr bem, será normal. Só farei cesárea se acontecer algum problema, ou ela não nascer até o dia 10", concluiu. (Leia aqui e aqui)

No final, Guilhermina Guinle teve Minna por cesariana no dia 06/09/2013, Rio de Janeiro. (Leia aqui)



3) BÁRBARA BORGES






Durante a gestação, deu várias entrevistas onde falava que fez opção do parto natural. (Leia aqui)

Mas fez cesariana: "O parto teve que ser cesariana. A Bárbara já estava chegando nas 42 semanas e não pôde mais esperar pelo normal. O Martin estava com preguiça de sair (risos). Ele nasceu com 54cm e 4,100kg. Bem grandão! E ela está ótima", declarou a assessora da atriz, que contou com o apoio do marido, o jornalista e empresário Pedro Delfino, na sala de cirurgia. (Leia aqui)

Após 1 ano do nascimento, ela fez seu relato de parto desmentindo a cesariana eletiva divulgada. Em seu depoimento, fala de um parto idealizado e vários motivos que a levaram a cesariana após o início do trabalho de parto. Ente eles, a falta de estrutura hospitalar em uma das maiores maternidades do Rio de Janeiro. (Leia aqui)




4) CAROLINA FERRAZ




Quando estava grávida de seis meses, a atriz de 46 anos contou que estava dedicada apenas à maternidade e que planejava ter parto normal. Então, em uma entrevista, Carolina Ferraz fez uma declaração que tinha medo de parto domiciliar. "Da primeira vez tive parto normal e achei ótimo. Mas tem que ser no hospital, com médico por perto. Nada contra ter em casa, duas amigas minhas tiveram. Mas sou medrosa", conta ela. Leia aquiaquiaqui e aqui. (Ufa !)
  
E choveram críticas. (aqui)

No dia 08/05/2015, Carolina Ferraz realizou uma cesariana para o nascimento da sua filha Isabel que nasceu com 3kg e 48,5 cm. (Leia aqui)

Recentemente, a atriz participou de uma capa de revista onde aparecia amamentando de forma natural o seu filho. Caiu, novamente, nas graças da mídia. (Leia aqui)



5) FERNANDA GENTIL




Fernanda Gentil deu uma entrevista e contou que queria muito que o parto de seu primeiro filho fosse normal. "Estou tentando esperar a boa vontade dele (bebê). A ideia é esperar para fazer o parto normal", explicou a apresentadora.
(Leia aqui e aqui)

E veio a notícia que o filho de Fernanda Gentil havia nascido no dia 28/08/2015, Rio de Janeiro. O parto, uma cesariana, foi realizado às 15h20. Gabriel nasceu medindo 48 cm e pesando 3,100kg. (Leia aqui)

Recentemente, Fernanda fez um desabafo por não conseguir amamentar, sentindo-se fracassada.  (Leia aqui)

E, assim, foi novamente citada na mídia, como podemos ver aqui.




6) ALEXANDRE PADILHA



O ex-ministro da Saúde e ex-candidato ao governo de São Paulo, disse durante a campanha eleitoral que sua esposa que estava grávida faria o parto na rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS), defendido pelo casal.

O parto humanizado estava programado, mas Thássia precisou passar por uma cesárea de urgência devido a um quadro de pré-eclâmpsia, doença que se caracteriza por alterações de pressão arterial que podem levar a gestante a crises convulsivas e até à morte.

O caso gerou grande polêmica pois, apesar de usar a estrutura do SUS, o casal contou com a presença do dobro de médicos habituais na sala parto. Ao todo foram três obstetras e três pediatras. Entre eles o próprio diretor do hospital que raramente atendia na linha de frente. Os outros cinco médicos eram todos do Hospital das Clínicas, da USP que se deslocaram para o hospital para a realização do parto. 

A polêmica girou em torno do fato que pessoas comuns não dispõem de tantos médicos e nem podem solicitar seus médicos de confiança quando precisam utilizar o sistema público. 

Durante a internação da recém-nascida na UTI Neonatal, a bebê ficou sob os cuidados de uma médica do Instituto da Criança da USP.

Além da questão do tipo de atendimento diferenciado com a família do ex-ministro, a polêmica se estendeu à realização da cesariana. Acontece que, de acordo com as recomendações do próprio Ministério da Saúde é sugerido primeiramente tentar a via normal de parto e não realizar cesarianas eletivas. (Leia aqui)



7) MANUELA D'ÁVILA





A deputada Manuela D' Ávila, defensora do parto normal e humanizado, entrou em trabalho de parto e permaneceu por várias horas até indicação de cesariana. Sua filha Laura nasceu linda e saudável, pesando 3,32 kg. Amamentou rápido e logo já tinha foto da família na internet. (Leia aqui)

A via de parto não a tornou inferior. Mas ela fez questão de justificar a cesariana e, inclusive, usou o termo "cesárea humanizada", tão criticada por muitos.



8) GRAZZI MASSAFERA



Quando a atriz global engravidou em 2011, provavelmente não sabia que teria que dar tantas explicações sobre a sua via de parto.




Desde o início criou-se uma expectativa em torno do seu desejo de ter o bebê através do parto normal. Ela chegou a ir até a maternidade já com alguns sinais onde fez exames e recebeu orientação de voltar para casa para fazer uma espécie de indução natural do parto - caminhar e movimentar-se na tentativa de acelerar o processo. Mais tarde, a atriz voltou à maternidade para finalmente dar à luz sua bebê por cesariana.

No caso da Grazi, a polêmica ficou por conta do tempo de gestação e comentários maldosos como: “Grazi está na 39ª semana de gestação e poderia esperar até 41ª” pipocaram na mídia. (Leia  aqui)




9) FERNANDA MACHADO




A atriz deu à luz após 18h de trabalho de parto por parto normal nos Estados Unidos. (Leia aqui e aqui) Amamentou exclusivamente seu bebê (aqui). Fez tudo como manda o politicamente correto. No entanto, isso não foi suficiente para imunizá-la das críticas. 

No último domingo dia 25, Fernanda publicou no instagram uma foto do seu filho tirando uma soneca. A foto gerou muitos comentários de pessoas que falavam dos riscos de sufocamento e de morte súbita do bebê. 




A atriz se disse impressionada como as pessoas julgam as mães e postou a foto novamente com o seguinte recado: "... não importa se eu parei a minha vida só para cuidar do meu filho sem babá, se eu passei por 18 horas de um parto super difícil que no Brasil seria com certeza cesárea, se estou amamentando exclusivamente sem 1 gota de fórmula há 4 meses. Parece que vão sempre achar um jeito de criticar uma mãe, as pessoas realmente não percebem que não existe ninguém nesse mundo que  mais preocupada com meu filho do que eu." (Leia aqui)


A verdade é que realmente não importa a via de parto. 
A verdade é que não existe protocolo de mãe perfeita.

A verdade é que existem o IDEAL e o POSSÍVEL.



O Blog Visão de Ilitia deseja a todos uma boa reflexão.


2 comentários:

  1. Se a sua intenção foi suscitar a discussão via celebridades conseguiu. Pois as celebridades são acompanhadas com curiosidade. Este tema merece ma divulgação maior e sem preconceitos, pois conforme mostram os relatos, na hora H tudo vai depender não só do gosto da gestante, mas da saúde do bebê, da mulher e da avaliação do médico. O fato do parto natural ser a nossa origem e estamos adaptados e selecionados naturalmente para ele, também há riscos e muitos. Mas os riscos da pré-definição pela cesárea por vontade seja de gestantes seja de médicos pode ter riscos maiores ainda. Ou seja, penso que a via natural deveria ser a conduta básica e a cesárea bem justificada pelo médico. Mas há médicos que optam pela cesárea para ter o controle do seu tempo ou mulheres por medo ou razões estéticas - algumas nem amamentam por este motivo. E por fim um serviço estatal de obstetrícia focado em partos precisa ter normas gerais de conduta, parece que em todos os casos é indicado o parto natural e caberia ao serviço justificar e mudar esta indicação básica. É isso? Fiquei pensando por escrito. Apolo

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  2. A nossa intenção com esse post não foi discutir a melhor via de parto, até porque acreditamos que essa escolha deve ser feita de forma individualizada, ao longo do pré-natal, mediante o esclarecimento dos riscos, benefícios e indicações, respeitando, sempre que possível, a vontade da gestante.

    Quisemos mostrar, através de exemplos de celebridades, que as mulheres têm se sentindo pressionadas a demonstrar interesse por um certo tipo de parto, caso contrário, poderão ser taxadas e julgadas.

    E esse não é o caminho. Respeitar a opção da gestante, desde que haja plena consciência dos riscos, nos parece a atitude mais sensata.

    Agradecemos pelo seu comentário e por visitar nosso blog. Continue nos prestigiando e enviando sua opinião, pois estamos sempre abertos a discussão e ao debate saudável.

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