domingo, 29 de novembro de 2015

QUE ZIKA É ESSA?

O que é a febre por Vírus Zika?

É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti, caracterizada por exantema maculopapular pruriginoso (manchas avermelhadas na pele, com coceira), febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido (vermelhidão nos olhos), artralgia (dor nas articulações), mialgia (dor muscular) e dor de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3-7 dias.


Qual a distribuição dessa doença?

O vírus Zika foi isolado pela primeira vez em primatas não humanos em Uganda, na floresta Zika em 1947, por esse motivo esta denominação. Entre 1951 a 2013, evidências sorológicas em humanos foram notificadas em países da África (Uganda, Tanzânia, Egito, República da África Central, Serra Leoa e Gabão), Ásia (Índia, Malásia, Filipinas, Tailândia, Vietnã e Indonésia) e Oceania (Micronésia e Polinésia Francesa).

Nas Américas, o Zika Vírus somente foi identificado na Ilha de Páscoa, território do Chile no oceano Pacífico, 3.500 km do continente no início de 2014.

O Zika Vírus é considerado endêmico no Leste e Oeste do continente Africano. Evidências sorológicas em humanos sugerem que a partir do ano de 1966 o vírus tenha se disseminado para o continente asiático.

Atualmente há registro de circulação esporádica na África (Nigéria, Tanzânia, Egito, África Central, Serra Leoa, Gabão, Senegal, Costa do Marfim, Camarões, Etiópia, Quénia, Somália e Burkina Faso) e Ásia (Malásia, Índia, Paquistão, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Camboja, Índia, Indonésia) e Oceania (Micronésia, Polinésia Francesa, Nova Caledônia/França e Ilhas Cook).

Casos importados de Zika virus foram descritos no Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos, Austrália e Ilha de Páscoa. 

http://www.cdc.gov/zika/geo/index.html


Como é transmitida?

O principal modo de transmissão descrito do vírus é por vetores. No entanto, está descrito na literatura científica, a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.


Quais são os principais sinais e sintomas?

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas, porém quando presentes são caracterizadas por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça e menos frequentemente, edema, dor de garganta, tosse e vômitos. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

Recentemente, foi observada uma possível correlação entre a infecção ZIKAV e a ocorrência de síndrome de Guillain-Barré (acometimento do sistema nervoso, caracterizado por fraqueza muscular progressiva que evolui para diminuição ou perda dos movimentos de maneira ascendente com flacidez dos músculos) em locais com circulação simultânea do vírus da dengue.


http://www.nicepeoplenetworking.com/wp-content/uploads/2015/05/Zika-Virus-alert-for-Caribbean.jpgda

               
Qual o prognóstico?

Em suma, vem sendo considerada uma doença benigna, na qual nenhuma morte foi relatada* e autolimitada, com os sinais e sintomas durando, em geral, de 3 a 7 dias. Não vê sendo descritas formas crônicas da doença.

* Em nota recente, o Ministério da Saúde relatou duas mortes consequentes à infecção pelo zika vírus. Segue o link aqui


Há tratamento ou vacina contra o Zika vírus?

Não existe tratamento específico. O tratamento dos casos sintomáticos recomendado é baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor. No caso de erupções pruriginosas, os anti-histamínicos podem ser considerados. No entanto, é desaconselhável o uso ou indicação de ácido acetilsalicílico e outros drogas anti-inflamatórias em função do devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por síndrome hemorrágica como ocorre com outros flavivírus (ex: vírus da dengue).
Não há vacina contra o Zika vírus.


Qual a relação entre Zika vírus e gravidez?

Nesse último sábado, o Ministério da Saúde confirmou a relação entre a infecção por zika vírus e os casos de microcefalia em fetos e neonatos no Nordeste do Brasil. É sabido que o vírus tem um tropismo (preferência) pelo sistema nervoso, causando destruição de células e estruturas. Gestantes infectadas pelo zika vírus, principalmente na primeira metade da gravidez, podem passar o vírus para o bebê, ocasionando lesões no sistema nervoso central.


Como evitar e quais as medidas de prevenção e controle?

As medidas de prevenção e controle são semelhantes às da dengue e chikungunya. Não existem medidas de controle específicas direcionadas ao homem, uma vez que não se dispõe de nenhuma vacina ou drogas antivirais.

http://www.blog.saude.gov.br/promocao-da-saude/50392-sabado-de-faxina-nao-de-folga-para-o-mosquito-da-dengue


Prevenção domiciliar

Deve-se reduzir a densidade vetorial, por meio da eliminação da possibilidade de contato entre mosquitos e água armazenada em qualquer tipo de depósito, impedindo o acesso das fêmeas grávidas por intermédio do uso de telas/capas ou mantendo-se os reservatórios ou qualquer local que possa acumular água, totalmente cobertos. Em caso de alerta ou de elevado risco de transmissão, a proteção individual por meio do uso de repelentes deve ser implementada pelos habitantes.

Individualmente, pode-se utilizar roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia quando os mosquitos são mais ativos podem proporcionar alguma proteção contra as picadas dos mosquitos e podem ser adotadas principalmente durante surtos, além do uso repelentes na pele exposta ou nas roupas.


Prevenção na comunidade

Na comunidade deve-se basear nos métodos realizados para o controle da dengue, utilizando-se estratégias eficazes para reduzir a densidade de mosquitos vetores.
A ação mais simples para prevenção da dengue é evitar o nascimento do mosquito, já que não existem vacinas ou medicamentos que combatam a contaminação. Para isso, é preciso eliminar os lugares que eles escolhem para a reprodução.

A regra básica é não deixar a água, principalmente limpa, parada em qualquer tipo de recipiente.

Como a proliferação do mosquito da dengue é rápida, além das iniciativas governamentais, é importantíssimo que a população também colabore para interromper o ciclo de transmissão e contaminação. Para se ter uma ideia, em 45 dias de vida, um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas.

Então, a dica é manter recipientes, como caixas d’água, barris, tambores, tanques e cisternas, devidamente fechados. E não deixar água parada em locais como: vidros, potes, pratos e vasos de plantas ou flores, garrafas, latas, pneus, panelas, calhas de telhados, bandejas, bacias, drenos de escoamento, canaletas, blocos de cimento, urnas de cemitério, folhas de plantas, tocos e bambus, buracos de árvores, além de outros locais em que a água da chuva é coletada ou armazenada.

É bom lembrar que o ovo do mosquito da dengue pode sobreviver até 450 dias, mesmo se o local onde foi depositado o ovo estiver seco. Caso a área receba água novamente, o ovo ficará ativo e pode atingir a fase adulta em um espaço de tempo entre 2 e 3 dias. Por isso é importante eliminar água e lavar os recipientes com água e sabão.


Como denunciar os focos do mosquito?

As ações de controle são semelhantes às da dengue, portanto voltadas principalmente na esfera municipal. Quando o foco do mosquito é detectado, e não pode ser eliminado pelos moradores de um determinado local, a Secretaria Municipal de Saúde deve ser acionada.


O que fazer se estiver com os sintomas de febre por Vírus Zika?

Procurar o serviço de saúde mais próximo para receber orientações.  


Fontes:

http://www.cdc.gov/zika/geo/index.html
http://www.dengue.org.br/dengue_prevenir.html
http://www.dengue.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=7
http://www.combateadengue.com.br/prevencao-da-dengue/
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/perguntas-e-respostas-dengue-2
http://www.blog.saude.gov.br/promocao-da-saude/50392-sabado-de-faxina-nao-de-folga-para-o-mosquito-da-dengue


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

MICROCEFALIA E ZIKA VÍRUS

Diante do crescente número de casos de microcefalia no nordeste do país (Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará e Bahia) e das inúmeras matérias veiculadas na mídia, decidimos fazer um texto com alguns esclarecimentos às gestantes. Procuramos informações em sites oficiais do Ministério da Saúde. Vamos reproduzir aqui, na íntegra, alguns parágrafos.

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/11/entenda-o-que-e-microcefalia-e-como-se-proteger-do-surto.html


 A investigação desses casos está sendo realizada pelo Ministério da Saúde de forma integrada com as secretarias estaduais e municipais de saúde, com o apoio de instituições nacionais e internacionais. Comitês de especialistas apoiarão o Ministério da Saúde nas análises epidemiológicas e laboratorial, bem como no acompanhamento dos casos.


Ainda não é possível ter certeza sobre a causa para o aumento de microcefalia que tem sido registrado nos sete estados. Todas as hipóteses estão sendo minuciosamente analisadas pelo Ministério da Saúde e qualquer conclusão neste momento é precipitada. As análises não foram finalizadas e, portanto, continuam em andamento.


A Fiocruz, que participa das investigações, notificou nesta terça-feira (17) que o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz concluiu diagnósticos que constataram a presença do genoma do vírus Zika em amostras de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos foram confirmados com microcefalia através de exames de ultrassonografia. O material genético (RNA) do vírus foi detectado em amostras de líquido amniótico, com o uso da técnica de RT-PCR em tempo real.


Apesar de ser um achado científico importante para o entendimento da infecção por Zika vírus em humanos, os dados atuais não permitem correlacionar inequivocamente, de forma causal, a infecção pelo Zika com a microcefalia. Tal esclarecimento se dará por estudos coordenados pelo Ministério e outras instituições envolvidas na investigação das causas de microcefalia no país.


O Ministério da Saúde está tratando deste assunto com a prioridade e responsabilidade que o tema exige, dando transparência aos dados e às informações, com previsão de divulgação semanal do boletim epidemiológico da doença. 


Sobre as gestantes, é importante que elas mantenham o acompanhamento e as consultas de pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo médico. O Ministério da Saúde reforça ainda a orientação de não consumirem bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de drogas, não utilizar medicamentos sem orientação médica e evitar contato com pessoas com febre ou infecções.

É importante também que as gestantes adotem medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doença, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.

A microcefalia não é um agravo novo. Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Na atual situação, a investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.



Seguem outras orientações da NOTA INFORMATIVA N 01/2015 – COES MICROCEFALIAS, divulgada em 17/11/2015

Considerando a possibilidade de associação da microcefalia com doenças infecciosas, ou outras causas, recomenda-se aos serviços e profissionais de saúde que informem a todas as gestantes e mulheres em idade fértil, com possibilidade de engravidar, que:  

1) É importante a atualização das vacinas de acordo com o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde:
- A rede pública do SUS oferece vacinas eficazes e gratuitas, verifique quais são recomendadas para sua faixa etária e idade gestacional;
- É importante lembrar que as vacinas, geralmente, têm um período que varia entre 10 dias e 6 semanas, até atingir a proteção esperada. Por isso, devem ser aplicadas com a devida antecedência;  

2) Informar à gestante sobre uso de medicamentos com potencial teratogênico (nota Visão de Ilitia: teratogênico é aquilo capaz de levar a malformações no feto);

3) Oriente sobre a necessidade de atenção sobre a natureza e a qualidade daquilo que se ingere (água, alimentos, medicamentos), consome ou tem contato, e o potencial desses produtos afetarem o desenvolvimento do bebê.

http://www.jornalfloripa.com.br/emcimadahora/site/?p=noticias_ver&id=15289

4) Durante a gestação é necessário proteger-se das picadas de insetos:
- Evite horários e lugares com presença de mosquitos;
- Sempre que possível utilize roupas que protejam partes expostas do corpo;
- Consulte o médico sobre o uso de repelentes e verifique atentamente no rótulo a concentração do repelente e definição da frequência do uso para gestantes;
- Permanecer, principalmente, no período entre o anoitecer e o amanhecer, em locais com barreiras para entrada de insetos como: telas de proteção, mosquiteiros, ar-condicionado ou outras disponíveis.  

5) Se houver qualquer alteração no seu estado de saúde, principalmente no período até o 4º mês de gestação, ou na persistência de doença pré-existente nessa fase, comunique o fato aos profissionais de saúde (médicos obstetras, médico ultrassonografista e demais componentes da equipe de saúde) para que tomem as devidas providências para acompanhamento da gestação;  

6) Uso de repelentes de acordo com a indicação do fabricante. Os repelentes mais comuns, à base de DEET, são seguros para uso em gestantes.
(Para saber mais sobre o uso de repelentes na gestação, clique nesse link)
http://dermatologiaesaude.com.br/minha-pele/gestantes-repelente-de-insetos/

Nota Visão de Ilitia: 
Ainda não foi comprovada a associação de microcefalia com o Zika vírus. Os órgãos competentes estão cientes do problema e não estão medindo esforços para identificar a causa e trazer respostas à população. 
A recomendação de que as mulheres evitem de engravidar não é oficial e não foi ditada pelo Ministério da Saúde. Portanto, cabe à mulher essa decisão. Em caso de dúvidas, consulte seu médico. 
Mais que nunca, fiquemos vigilantes ao controle da proliferação do mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, principalmente tendo em vista a estação chuvosa e quente. 
Links para consulta:

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Sensibilidade e Humanização: Entrevista com Rodrigo Pederneiras - Grupo Corpo

A Arte (do latim Ars, significa técnica, habilidade) é o conceito que engloba todas as criações realizadas pelo ser humano para expressar uma visão/abordagem sensível do mundo. Através de vários recursos, a arte permite expressar idéias, emoções, percepções e sensações. Cria-se um vínculo emocional entre a expressão do artista e o admirador.

Trazendo a analogia para o campo de assistência à saúde, o conceito de “cuidar” deve envolver técnica e habilidade, requer sensibilidade e exige o vínculo de confiança entre o assistente e o paciente.

Infelizmente, há profissionais sem ética ou formação adequada, que disseminam informações distorcidas, muitas vezes atacando e criticando outros colegas da área de saúde.

Na obstetrícia, uma enxurrada de informações inunda a cabeça das gestantes, que ficam desorientadas, mas acabam se deixando seduzir pela idéia da glamourização, protagonismo e romantismo do parto, algumas vezes em detrimento da sua segurança e do bebê.

Tendo isso em vista, tivemos a oportunidade de entrevistar Rodrigo Pederneiras, diretor uma das mais respeitadas companhias de dança do mundo, o Grupo Corpo, cujos espetáculos invariavelmente são descritos, tanto pela crítica especializada, quanto pelo público em geral, como extremamente sensíveis, inesquecíveis e profundamente emocionantes, tal como supomos que todas as gestantes gostariam que fossem seus partos.


  
VISÃO DE ILITIA: Para induzir determinadas reações emocionais no público, muitos artistas costumam explorar técnicas bem conhecidas, basicamente as mesmas usualmente utilizadas em comícios e propagandas. O trabalho do Grupo Corpo, no entanto, prima pela pureza artística e, portanto, pelo caráter genuíno da emoção transmitida ao público. Esse tipo de emoção atinge o expectador em sua intimidade, assim desencadeando sensações individuais, e não em massa. Isso também acontece com os bailarinos e demais profissionais envolvidos, ao longo do processo de criação dos espetáculos?

RODRIGO PEDERNEIRAS: Todo trabalho que fazemos depende de como as idéias serão estruturadas dentro do processo criativo. Existem momentos em que a estrutura imaginada não chega a um resultado esperado, seja ele estético ou emocional, o que nos leva a uma busca incessante até que se chegue a um termo que nos agrade. Nesses momentos de tentativa existe uma grande colaboração por parte dos bailarinos e quando chegamos a um ponto satisfatório a sensação geral é de grande alegria. Por outro lado, quando as idéias acontecem como foram idealizadas, é possível sentir uma boa dose de emoção tanto nos intérpretes que participam da cena, quanto nos que apenas assistem. Sempre existem cenas que tocam mais algumas pessoas que outras. É algo muito individual.




VISÃO DE ILITIA: Quem busca atendimento em uma unidade de saúde, geralmente deposita todas as expectativas na atuação do médico. Médicos trabalham na linha de frente, ou seja, eles são aquilo que os pacientes vêem. Da mesma forma, quem vai ao teatro costuma focar toda a atenção somente nos artistas que estão no palco. Você poderia nos contar um pouco sobre a atuação dos demais profissionais envolvidos na produção, e sobre a estrutura necessária para o sucesso de um espetáculo?

RODRIGO PEDERNEIRAS: Todo bom espetáculo depende da atuação de uma equipe técnica qualificada além da utilização de equipamentos de qualidade como iluminação, som, cenografia, piso adequado e também uma sala de espetáculos bem projetada. Normalmente o expectador não faz idéia da estrutura que existe por trás de um espetáculo do Grupo Corpo. Temos uma equipe técnica de 6 pessoas altamente treinadas e capacitadas que é responsável pela montagem de toda a cena, juntamente com a equipe técnica de cada teatro. São de 10 a 12 profissionais que trabalham durante 2 dias, de 12 a 14 horas por dia, para que a estréia aconteça. Além do mais, como grande parte de nossos espetáculos são feitos no exterior, todos falam inglês e alguns, além do inglês, francês, espanhol e alemão. Só nos apresentamos em teatros que possuam requisitos técnicos aceitáveis.





VISÃO DE ILITIA: Os médicos brasileiros têm sofrido com a falta de estrutura dos hospitais públicos, bem como com a demanda excessiva do SUS, o que muitas vezes os obriga a agilizarem os atendimentos. Por consequência, a relação médico-paciente tem se deteriorado. O número de ameaças e agressões a médicos tem aumentado assustadoramente, gerando nestes um comportamento algo defensivo, além de um sentimento bastante pessimista em relação aos rumos da medicina no Brasil. Os pacientes, por sua vez, tendem a procurar outras  alternativas, ditas mais "humanizadas", de assistência à saúde, para suprir suas expectativas emocionais, não raro ignorando os riscos inerentes a estas escolhas. O espetáculo "Dança Sinfônica" nos chamou a atenção pela clara representação artística da humanização, perceptível no acolhimento de uma das bailarinas pelos demais, que a carregam e a acalentam durante toda a evolução da coreografia. Na visão de um artista, qual é o real sentido da humanização?

RODRIGO PEDERNEIRAS: Tenho dito em minhas últimas entrevistas acreditar fortemente que a arte contemporânea precisa ser humanizada. O grande poeta Ferreira Gullar disse uma vez que "a arte existe porque a vida não é suficiente". Precisamos da arte para nos completar, nos entender melhor e creio que esse processo passa pela humanização do que criamos. O que realmente importa são as pessoas. Humanizar é finalmente a utilização de todo conhecimento e todos os recursos disponíveis para a melhoria da vida.

VISÃO DE ILITIA: Você considera mais importante definir um protagonista específico para cada espetáculo ou trabalhar o protagonismo individual de cada bailarino, para atingir o resultado final?

RODRIGO PEDERNEIRAS: O protagonismo às vezes acontece por situações ou temas que são abordados e que tenham maior proximidade com este ou aquele intérprete, mas são situações relativamente raras nos trabalhos do Grupo Corpo. Costumamos dizer que todos são primeiros bailarinos.



VISÃO DE ILITIA: A maioria das gestantes sonha intensamente com o momento de dar à luz. É natural que idealizem a cena. No entanto, os profissionais envolvidos devem sempre evitar que tal idealização atinja níveis fantasiosos, justamente para que a realidade não as decepcione. O objetivo de um obstetra responsável não consiste em substituir a emoção pela técnica, tampouco em roubar a cena das gestantes, mas sim em promover a saúde, para que todas possam sair da sala de parto prontas para exercer a sublime experiência da maternidade. Gostaria que você nos falasse sobre a importância da técnica na dança. Suponho que um espetáculo artístico também dependa disso, certo?

RODRIGO PEDERNEIRAS: A técnica na dança e em qualquer forma de arte como música, teatro , pintura , escultura, etc. é fundamental para se atingir a emoção , criar novas sensações, beleza; para confundir, arrebatar, abrir novas janelas e criar novas perspectivas. Sem a técnica, acredito fortemente, nada se desenvolve de forma consistente. Conhecimento é fundamental.


A equipe do blog Visão de Ilitia gostaria de agradecer imensamente ao Rodrigo Pederneiras pela boa vontade em nos ceder esta entrevista. Esperamos que, através de suas palavras, os profissionais da saúde desenvolvam e valorizem técnica, conhecimento e trabalho em equipe. E que muitas gestantes possam compreender que a essência da maternidade não se resume em uma única cena (vejam o texto Parto Ideal x Parto Real, aqui no blog), bem como perceber em seu depoimento o amor genuinamente maternal com o qual ele tem conduzido o Grupo Corpo ao longo desses 40 anos, emocionando o mundo inteiro com seus espetáculos. Nossos sinceros aplausos pelo seu magnífico trabalho. Um grande abraço, saúde e sucesso!

Nota: o espetáculo "Dança Sinfônica", mencionado nesta entrevista, tem como cenário um belíssimo painel reunindo mais de mil fotos de todos os profissionais que trabalham ou já trabalharam na companhia. Embora a platéia não possa distinguir cada um destes personagens, acreditamos que o simbolismo deste cenário traduz a emoção dos próprios artistas e, por consequência, a beleza do espetáculo. A união e o profundo respeito entre todos os envolvidos em um determinado evento constituem, sem dúvidas, a base de uma equipe humanizada. Vale a reflexão.


domingo, 22 de novembro de 2015

Gestação Pélvica - Perguntas e Respostas




O que é apresentação pélvica?

Nas últimas semanas de gestação, a maioria dos bebês se move dentro do útero, preparando-se para o parto, e se posiciona de maneira que a cabeça fique voltada para a saída do útero. Essa é a posição mais anatômica para o bebê e é chamada de apresentação cefálica. No entanto, 3 a 4% dos bebês não viram de cabeça pra baixo e permanecem “sentadinhos” no útero. Esse tipo de apresentação, em que o bumbum, os pés ou ambos se posicionam na saída do útero, é chamado de apresentação pélvica.


Tipos de Apresentação Pélvica - Fonte: Michigan Cerebral Palsy Attorneys



Até que semana meu bebê pode virar?

A apresentação pélvica é muito comum no início das gestações. Conforme a gravidez avança, a grande maioria dos bebês se vira naturalmente para a posição cefálica. Cerca de 20% das gestações com 28 semanas apresentam bebês pélvicos e destes somente 3 a 4% permanecerão pélvicos até o final da gestação. O bebê pode virar a qualquer momento no útero, porém após as 32 semanas a movimentação dentro do útero fica mais restrita devido ao crescimento do bebê e à diminuição do espaço intrauterino.



Quais são os fatores relacionados à apresentação pélvica?

Muitas vezes não é possível se definir por que um bebê adota a posição pélvica. No entanto, existem alguns fatores que podem contribuir para esse tipo de apresentação: se você já esteve gestante anteriormente; se estiver grávida de gêmeos; se tiver alguma anormalidade no útero; em casos de apresentação baixa da placenta; nos bebês prematuros; e em casos de diminuição ou aumento do líquido amniótico e alguns tipos de anomalias congênitas.


O que mais pode ser feito?

Se você estiver com 36 semanas completas de gestação, discuta com seu médico a possibilidade de realização da Versão Cefálica Externa (VCE) que é um procedimento em que o médico tenta virar o bebê dentro do útero com uma manobra em que é realizada uma pressão sobre a barriga da gestante. O procedimento não pode ser realizado se houver evidências de anormalidades do feto ou de inserção da placenta; de sinais de trabalho de parto, de sangramento vaginal ou bolsa rota; e em caso de gêmeos ou de complicações maternas.

 

Quais são os benefícios de se realizar a Versão Cefálica Externa?

Aumentam-se as chances de você ter um parto vaginal. Cerca de 50% das tentativas são bem sucedidas, porém, alguns bebês podem retornar para a posição pélvica mesmo após a realização da VCE.


Quais são as possíveis complicações da Versão Cefálica Externa?

A VCE deve ser realizada com adequada monitorização do bebê e em ambiente hospitalar, pois caso alguma complicação aconteça, pode ser necessária a realização de uma cesariana de urgência. As complicações que podem ocorrer são: ruptura prematura da bolsa, descolamento prematuro de placenta, trabalho de parto prematuro e alterações do ritmo cardíaco do bebê. A proporção de complicações ocorre em 1 a cada 200 procedimentos (0.5%) realizados.


Existe alguma outra maneira de fazer o meu bebê virar para a posição cefálica?

Não existem evidências científicas que comprovem a eficácia de outras técnicas ou manobras.


Se o meu bebê permanecer pélvico, quais são as minhas opções para o parto?

Existem duas possibilidades para o nascimento de um bebê pélvico: O parto vaginal ou a cesárea.

A cesariana é mais recomendada para gestantes com fetos em apresentação pélvica devido à redução de mortalidade perinatal e morbidade neonatal quando comparado como o parto pélvico vaginal. O RCOG (Royal College of Obstetricians and Gynaecologists - Inglaterra), o NICE (National Institute for Health and Clinical Excellence - Inglaterra), o NHS (National Health Service – Estados Unidos), o ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists – Estados Unidos) e o Ministério da Saúde – Brasil, todos recomendam que a cesárea é a forma mais segura de se ter um bebê pélvico.

No caso de um parto pélvico vaginal, o bebê deve ser monitorado continuamente e a gestante deve ser esclarecida que poderá ser necessário o uso do fórcipe ou a realização de uma cesariana de urgência. Isso porque pode ocorrer dificuldade da passagem da cabeça pelo canal de parto e/ou compressão/prolapso do cordão umbilical. Um pediatra deve estar preparado para atendimento imediato do recém-nascido.

Há várias manobras capazes de auxiliar no nascimento de um bebê pélvico por via vaginal. Para o sucesso do procedimento, o profissional que vai realizar o parto deve ser experiente e muito bem treinado. Mesmo assim, estima-se uma taxa de cerca de 7% de fracasso nessas manobras, levando ao óbito do bebê por um quadro chamado "cabeça derradeira".


Em caso de gêmeos, qual seria a conduta mais segura?

A recomendação para gestação gemelar é a mesma para os demais casos seguindo a orientação a partir da apresentação do primeiro gemelar. Dessa forma, se o primeiro gemelar for pélvico, a cesariana é a forma mais segura de se dar a luz.

 
Links para consulta:

NHS