domingo, 22 de novembro de 2015

Gestação Pélvica - Perguntas e Respostas




O que é apresentação pélvica?

Nas últimas semanas de gestação, a maioria dos bebês se move dentro do útero, preparando-se para o parto, e se posiciona de maneira que a cabeça fique voltada para a saída do útero. Essa é a posição mais anatômica para o bebê e é chamada de apresentação cefálica. No entanto, 3 a 4% dos bebês não viram de cabeça pra baixo e permanecem “sentadinhos” no útero. Esse tipo de apresentação, em que o bumbum, os pés ou ambos se posicionam na saída do útero, é chamado de apresentação pélvica.


Tipos de Apresentação Pélvica - Fonte: Michigan Cerebral Palsy Attorneys



Até que semana meu bebê pode virar?

A apresentação pélvica é muito comum no início das gestações. Conforme a gravidez avança, a grande maioria dos bebês se vira naturalmente para a posição cefálica. Cerca de 20% das gestações com 28 semanas apresentam bebês pélvicos e destes somente 3 a 4% permanecerão pélvicos até o final da gestação. O bebê pode virar a qualquer momento no útero, porém após as 32 semanas a movimentação dentro do útero fica mais restrita devido ao crescimento do bebê e à diminuição do espaço intrauterino.



Quais são os fatores relacionados à apresentação pélvica?

Muitas vezes não é possível se definir por que um bebê adota a posição pélvica. No entanto, existem alguns fatores que podem contribuir para esse tipo de apresentação: se você já esteve gestante anteriormente; se estiver grávida de gêmeos; se tiver alguma anormalidade no útero; em casos de apresentação baixa da placenta; nos bebês prematuros; e em casos de diminuição ou aumento do líquido amniótico e alguns tipos de anomalias congênitas.


O que mais pode ser feito?

Se você estiver com 36 semanas completas de gestação, discuta com seu médico a possibilidade de realização da Versão Cefálica Externa (VCE) que é um procedimento em que o médico tenta virar o bebê dentro do útero com uma manobra em que é realizada uma pressão sobre a barriga da gestante. O procedimento não pode ser realizado se houver evidências de anormalidades do feto ou de inserção da placenta; de sinais de trabalho de parto, de sangramento vaginal ou bolsa rota; e em caso de gêmeos ou de complicações maternas.

 

Quais são os benefícios de se realizar a Versão Cefálica Externa?

Aumentam-se as chances de você ter um parto vaginal. Cerca de 50% das tentativas são bem sucedidas, porém, alguns bebês podem retornar para a posição pélvica mesmo após a realização da VCE.


Quais são as possíveis complicações da Versão Cefálica Externa?

A VCE deve ser realizada com adequada monitorização do bebê e em ambiente hospitalar, pois caso alguma complicação aconteça, pode ser necessária a realização de uma cesariana de urgência. As complicações que podem ocorrer são: ruptura prematura da bolsa, descolamento prematuro de placenta, trabalho de parto prematuro e alterações do ritmo cardíaco do bebê. A proporção de complicações ocorre em 1 a cada 200 procedimentos (0.5%) realizados.


Existe alguma outra maneira de fazer o meu bebê virar para a posição cefálica?

Não existem evidências científicas que comprovem a eficácia de outras técnicas ou manobras.


Se o meu bebê permanecer pélvico, quais são as minhas opções para o parto?

Existem duas possibilidades para o nascimento de um bebê pélvico: O parto vaginal ou a cesárea.

A cesariana é mais recomendada para gestantes com fetos em apresentação pélvica devido à redução de mortalidade perinatal e morbidade neonatal quando comparado como o parto pélvico vaginal. O RCOG (Royal College of Obstetricians and Gynaecologists - Inglaterra), o NICE (National Institute for Health and Clinical Excellence - Inglaterra), o NHS (National Health Service – Estados Unidos), o ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists – Estados Unidos) e o Ministério da Saúde – Brasil, todos recomendam que a cesárea é a forma mais segura de se ter um bebê pélvico.

No caso de um parto pélvico vaginal, o bebê deve ser monitorado continuamente e a gestante deve ser esclarecida que poderá ser necessário o uso do fórcipe ou a realização de uma cesariana de urgência. Isso porque pode ocorrer dificuldade da passagem da cabeça pelo canal de parto e/ou compressão/prolapso do cordão umbilical. Um pediatra deve estar preparado para atendimento imediato do recém-nascido.

Há várias manobras capazes de auxiliar no nascimento de um bebê pélvico por via vaginal. Para o sucesso do procedimento, o profissional que vai realizar o parto deve ser experiente e muito bem treinado. Mesmo assim, estima-se uma taxa de cerca de 7% de fracasso nessas manobras, levando ao óbito do bebê por um quadro chamado "cabeça derradeira".


Em caso de gêmeos, qual seria a conduta mais segura?

A recomendação para gestação gemelar é a mesma para os demais casos seguindo a orientação a partir da apresentação do primeiro gemelar. Dessa forma, se o primeiro gemelar for pélvico, a cesariana é a forma mais segura de se dar a luz.

 
Links para consulta:

NHS









Nenhum comentário:

Postar um comentário