quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cesariana X Mortalidade Materna e Neonatal


Recentemente, um estudo publicado numa das revistas científicas mais importantes do mundo, mostrou que taxas de cesariana abaixo de 19% estão associadas com aumento da mortalidade. Por outro lado, taxas acima disso não se associam com aumento de mortalidade materna e neonatal.  (Para ler o artigo na íntegra, clique aqui).

O gráfico mostra que taxas de cesarianas acima de 19%

 não aumentam a mortalidade materna


O gráfico mostra que taxas de cesarianas acima de 19%
 não aumentam a mortalidade neonatal

O estudo foi motivado pela declaração da OMS sobre taxa de cesáreas que dizia que essa taxa estaria entre 10 e 15%. No entanto, a própria OMS também afirmou que taxas de cesarianas acima dos valores considerados ideias NÃO estão correlacionadas a aumento de mortalidade. (Para ler a declaração da OMS comentada, clique aqui).

Sabemos que o parto vaginal é um evento natural e fisiológico, o que justifica algumas das suas vantagens em relação à cesariana, e deve ser sempre estimulado. Mas não pode ser defendido como única opção, principalmente quando se usam os riscos (exagerados) da cesariana como argumento, limitando o direito da mulher na escolha da sua via de parto .

Em vez de nos atermos somente a taxas, deveríamos buscar a excelência na assistência para, assim, atingirmos os melhores resultados.

Para a redução dos índices de cesariana, o acompanhamento pré natal deve ser cuidadoso e, o parto, acompanhado por profissional capacitado, para detectar e reverter precocemente as adversidades.


O que vemos, hoje, é a banalização dos riscos da gestação e do parto. O foco não é a prevenção desses riscos, com o objetivo de evitar indicações de cesariana mas, sim, tentativas de, simplesmente, diminuí-las.

A melhor mãe não é a que faz parto normal ou a que faz cesariana. É a que respeita suas limitações e os limites de segurança, não arriscando sua vida ou a do bebê por uma ideologia.


As condutas mudam de acordo com novos estudos. Aquilo que é verdade, hoje, pode ser ultrapassado amanhã. Por isso, é necessário evoluir e mudar. Como tudo na vida, o bom senso é melhor que qualquer extremo. No parto, não seria diferente.








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