terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Natal de Joaquim

No Natal, celebramos o nascimento de Jesus Cristo e sua compreensão deveria ser mais abrangente. Deus enviou o seu Filho ao mundo para que o mundo fosse salvo por Ele e o verdadeiro significado do Natal é a celebração deste ato de amor incrível.

Nesta data, nós, do Visão de Ilitia, viemos aqui reforçar tudo aquilo que temos tentado transmitir, desde a criação do blog, há cerca de quatro meses: respeito, apoio, informação e ausência de julgamento. Viemos, também, lembrar que, no final das contas, o que importa é festejar a vida e o amor.

Desta forma, trouxemos o relato de Andreza Pereira, mãe do (nosso) prematuro Joaquim. Leiam e se emocionem com essa bênção! 

Joaquim


"Sempre quis ser mãe e meu marido sempre quis ser pai e, esse dia, enfim, chegou. Descobrimos a gravidez e a felicidade tomou conta da gente, de nossos familiares e amigos que esperavam por esse momento há mais de sete anos. As semanas foram se passando, os exames sendo feitos e tudo indo muito bem. Nas consultas regulares com a nossa médica obstetra, tudo  estava perfeito, até chegar a 28ª semana. Eu tinha uma consulta de rotina, numa sexta-feira à tarde. Já estava atrasada e quase não fui à consulta mas, ao falar com a doutora, ela disse que esperaria, mesmo tendo seu filho para pegar no colégio. 

Chegamos lá e ela viu o exame que tinha sido feito naquela manhã, que mostrava um bebê pequeno e uma leve alteração que poderia levar a hipertensão. Como de costume, ela mediu a minha pressão arterial e, para nossa surpresa, estava 180x100. Na hora ela falou comigo, percebi a preocupação dela e comecei a ficar um pouco preocupada. Ela, então, orientou que fôssemos imediatamente para emergência da maternidade, falou que provavelmente ficaria internada. E nessa hora meu mundo desabou, eu desabei, comecei a chorar, ela e meu marido tentavam me acalmar. Ao ser examinada na maternidade, fui diagnosticada com pré-eclâmpsia, então minha GO pediu minha internação .

Logo depois disso, a médica me liga perguntando como eu estava. Mal consegui falar com ela, foi muito humana tentando me acalmar, dizendo que seria para o nosso bem, e que ela dormiria aquela noite triste por tudo o que acontecera. Eu não conseguia me conformar, ficava procurando motivos para tudo isso estar acontecendo comigo, me sentia culpada, mas nem sabia exatamente o porquê.

No dia seguinte, acharam melhor que eu fosse para UTI Materna, para acompanhamento mais rigoroso. Lá, a pressão era medida a cada 20 minutos, onde se mantinha 140x70 e já iniciaram remédios para hipertensão. Começamos a monitorar o bebê por ultrassonografia, as medições não eram muito animadoras, ele quase não estava ganhando peso. Passamos a acompanhá-lo por ultras dia sim dia não, em um dia o resultado estava um pouco melhor em outro um pouco pior. 

Os dias no hospital eram angustiantes, o tempo não passava. Parecia uma tortura, tanto pra mim quanto para meu marido que se dividia entre trabalho, casa, cachorro e hospital. Ele, com certeza, foi meu grande alicerce, ia dormir no hospital praticamente todas as noites e me dava forças, tentava me animar e quantas vezes só me dava seu ombro para que eu pudesse descarregar tudo aquilo que estava sentindo e passando.

Então, no dia 17 de setembro, em mais uma descida para emergência para fazer a ultra, veio a tão temida centralização. Depois de fazer contato com a minha GO, ela então veio conversar comigo e confirmou tudo e, novamente, eu desabei. Liguei pro meu marido na hora e só conseguia chorar, parecia que meu chão tinha sido arrancado. Em contato com a doutora ela confirmou a cesariana para o mesmo dia às 18 horas e, assim, aconteceu: fui para UTI materna receber sulfato de magnésio e me preparar para a cirurgia. 

O Nascimento


Então, em 17 de setembro de 2015, chegou o nosso Joaquim, com 37 cm, pesando 1.045 kg, com 30 semanas e 5 dias. Sim, ele era muito pequeno, tão magrinho, mas tão lindo! Em sua chegada, mal pude vê-lo, o vi brevemente ao sair da barriga e ele já teve que sofrer algumas intervenções pelo pediatra. Todo aquele sonho de segurar seu bebê logo que nasce, também não se realizou. Após as intervenções, o vi novamente, muito rápido, antes de ele ir para UTI Neonatal.

Era um misto de sentimentos. Estava ainda meio em choque pelo tamanho do Joaquim, por sua fragilidade, e muito apreensiva de como seria tudo dali pra frente. Mantivemos uma rotina diária de UTI e me culpava por não estar lá o tempo todo com ele. Cheguei a me comparar com outras mães mas, depois, fui me conscientizando de que eu estava fazendo o meu melhor e que não deveria me comparar com os outros. Ali eu era somente mãe, minha profissão (Psicóloga), não daria conta de me ajudar muito naquele momento. 

Ah... o lactário! Esse sempre foi uma tortura para mim ... aquela bomba, e eu quase não tinha leite e ver outras mães que em cinco minutos enchiam uma mamadeira, era no mínimo deprimente e desanimador. Mas não desisti. Cada dia na UTI era uma apreensão nova, uma descoberta, uma angustia diferente.. Os dias foram se passando e, a cada 10 gramas que ele ganhava, era uma grande vitória, mas também perdia e isso era terrível. 

Ele chegou a ter 960 gramas, no seu quinto dia de vida. As vitórias foram acontecendo. A primeira mamadeira foi emocionante de ver, e a primeira vez no seio, meu Deus! Como foi mágico!  Foram 54 dias de UTI Neonatal, em uma rotina incansável de UTI-casa-UTI. 

Joaquim teve alta com 2.095 kg no dia 09 de novembro, aniversário do papai e véspera do aniversário da mamãe, que belo presente ganhamos! Hoje ele está muito bem, me dedico ao meu pequeno com muito carinho, ele está ganhando peso e ficando cada dia mais lindo. Nosso grande presente de 2015!

Hoje o nosso Joaquim não é só nosso, é nosso mesmo, de todos os amigos e familiares que direta ou indiretamente estiveram conosco em presença ou em oração. É lindo ver como ele já é tão querido por todos, todos perguntam: e aí como está o NOSSO Joaquim?!
Nosso Joaquim, nosso guerreiro, nosso pequeno, aquele que foi estabelecido por Deus em nossas vidas!"  



TRECHOS DA CARTA DE UMA MÃE DE PREMATURO

"SER MÃE DE PREMATURO é ser pega pela surpresa e o despreparo. É não segurar seu filho nos braços quando nasce. É olhar pela incubadora. É sentir sua cria pela ponta dos dedos esterilizados em álcool 70%. 

Ser mãe de Prematuro é ser viciada no monitor. E ver seu filho respirando por aparelhos, com sensores medindo o que há de vida na sua criança. São os benditos 88% de saturação. É tirar leite na máquina. É ver o leite entrando pela sonda. É ter paranóia com o processo ganha/perde de peso diário. É se incomodar com as aspirações e manobras, mas saber que é um mal necessário. 

Para ser mãe de UTI tem que virar pedinte e mendigar todo dia uma boa notícia. Mesmo que seja a bendita palavrinha “estável” - significa que não melhorou - mas também não piorou. É ter de pedir para pegar seu filho no colo quando quiser, às vezes ouvir sim e tantas outras não. É não se esquecer de agradecer o cocô e o xixi de cada dia. Sinal de que não tem infecção. É joelho no chão do banheiro da UTI para pedir milagre, ou pedir que acabe o sofrimento. 

Haja fé. E só com fé. É ser a Rainha da Impotência, por ver o sofrimento e a dor do seu bebê e simplesmente não poder fazer nada. Só confiar. É bater papo com seu filho através da incubadora. E ter lágrima escorrendo pelo rosto todo dia por não poder sentir seu cheirinho e beijar seus cabelos, nem vê-lo a hora que quiser. 

Mas, ser mãe de prematuro é superação, é ter história para contar! Idade cronológica e idade corrigida. É difícil de entender. É sair da UTI com festa e palmas. E deixar por lá amigos eternos e preciosos. 

Ser mãe de Prematuro é ter medo do vento, da bronquiolite, do inverno e do hospital. Toda mãe é um ser guerreiro por natureza. Mas a Mãe de Prematuro, precisa ser guerreira em dobro. E isso nos difere e ao mesmo tempo nos iguala. Lutadoras, perseverantes, resilientes, frágeis a ponto de desabar a qualquer momento, mas com uma força absurda. Uma força que talvez venha de um útero vazio antes do tempo. Assim são as mães dos bebês que nascem antes..."
(Autor desconhecido)


O pequeno Joaquim. Um presente da Vida.

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6 comentários:

  1. Amiga, sou fortaleza me enche de alegria. Eu te amo muito!!!!😍😚

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  2. Amiga, que coisa mais linda! Tudo o que vocês passaram durante esse tempo não foi em vão. Hoje o Joaquim está aí lindo e cheio de vida!! Muito amor pra vocês!! ❤

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    1. Verdade Ro, o que importa é ele aqui com a gente...🙏🏻🙏🏻

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  3. Andreza quem é mãe e houve uma história somo a sua sofre e se emociona junto...Foi bem difícil não consigo nem imaginar, mas agora é só vitória! Que o Senhor Jesus cubra você e sua família de bençãos, e que este Grande Vitorioso e mais novo AMOR de sua vida tenha tudo que há de melhor saude, paz, alegria... um presentão ele já tem ... Esta mãezona chamada Andreza!Bjs e Um felicissimo natal e Um 2016 extremamente abençoado.

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    1. Obrigada Dani! Graças a Deus ele está bem e aqui conosco! Beijos ótimo natal!

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