quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

DESVENDANDO O PARTOGRAMA

O partograma, já há muito tempo aplicado em Hospitais Públicos, passou a ser requerido na rede suplementar (convênios) desde julho do ano passado, através da Resolução Normativa nº 368 da ANS, afim de evitar cesarianas desnecessárias.

O QUE É O PARTOGRAMA?
Partograma é uma representação visual/gráfica de valores ou eventos relacionados com o trabalho de parto, que permite acompanhar a sua evolução, documentar, diagnosticar alterações e indicar a tomada de condutas apropriadas para a correção de desvios, evitando, assim, intervenções desnecessárias. 

QUAIS SÃO OS PARÂMETROS AVALIADOS NO PARTOGRAMA?
O profissional que assiste à gestante examina e anota num gráfico os seguintes parâmetros:
- a dilatação do colo do útero
- a frequência cardíaca fetal
- a altura que o feto se encontra no canal de parto (por ex: se está encaixado ou não)
- a variedade de apresentação (nos casos em que o feto está de cabeça para baixo, é importante saber a posição da cabeça, por ex., se a face está virada para cima ou para baixo)
- se há presença de mecônio
- a duração do trabalho de parto
- os sinais vitais da mãe


Partograma

QUAL A IMPORTÂNCIA DO PARTOGRAMA?

O partograma serve como um”sistema precoce de aviso” e ajuda numa decisão antecipada em transferir, conduzir e finalizar o trabalho de parto. É barato, efetivo e prático. Ele também aumenta a qualidade e a regularidade de todas as observações da mãe e do feto, ajudando no reconhecimento precoce de problema com eles. E mostrou-se efetivo em prevenir o trabalho de parto prolongado, em reduzir as intervenções operatórias e em melhorar o resultado neonatal.
  
QUAL O MODELO PADRÃO?
É o protocolo da OMS, usado nos estudos multicêntricos, o qual apresentou excelente resultado. Ele é baseado nos seguintes princípios:


 
Obs: Os toques vaginais para verificação da dilatação devem ser feitos com intervalo de uma a duas horas na dependência da dilatação e da progressão do Trabalho de Parto. Quanto menores as dilatações, maior deverá ser o intervalo dos toques. Cada toque avaliará a dilatação cervical, altura da apresentação, variedade de posição, a bolsa das águas e a cor do líquido amniótico.

O QUE SÃO AS FASES LATENTE E ATIVA DO TRABALHO DE PARTO?
A fase latente vai do início do trabalho de parto até que a dilatação do colo alcance 3cm. Caso esta fase demore mais que 8 horas, na presença de 2 contrações em 10 minutos, o trabalho de parto deverá ser problemático e, se a gestante estiver em uma casa de parto, deverá ser transferida para um hospital. Caso ela esteja no hospital, necessitará um acompanhamento crítico de uma decisão quanto à conduta posterior.

Uma vez que a dilatação alcance 3cm, o trabalho de parto entra na fase ativa. Em cerca de 90% das primigestas (mulheres grávidas pela primeira vez), o índice de dilatação do colo é de 1cm/hora ou mais rápido.
O primeiro registro do partograma deve ser feito no início da fase ativa (mínimo de 03 cm de dilatação e contrações regulares – 2 a 3 em 10 min);

Dilatação do colo uterino na fase latente

 O QUE SÃO A LINHA DE ALERTA E A LINHA DE AÇÃO?
São linhas traçadas no partograma que permitem analisar a evolução do trabalho de parto e tomar condutas baseadas na leitura desses gráficos. Somente profissionais treinados podem interpretá-las adequadamente.

Quando o trabalho de parto ultrapassa a linha de alerta, algumas medidas podem ser necessárias, como o uso de ocitocina por exemplo, que é uma medicação colocada no soro para aumentar as contrações.

Quando a linha de ação é ultrapassada, é obrigatória uma reavaliação clínica para saber se o feto tem passagem. Caso se confirme a falta de passagem, estará indicada a cesariana. A cesariana também estará indicada toda vez que houver presença de sinais de sofrimento fetal  e falha na dilatação do colo.
  
O PARTOGRAMA PODE SER USADO NO ACOMPANHAMENTO DE QUALQUER TRABALHO DE PARTO?
Ele pode ser usado para todos os trabalhos de parto no hospital. Quando usado em casas de parto ou hospitais, a introdução do partograma precisa ser acompanhada por um programa de treinamento, sob supervisão apropriada.
Numa casa de parto, sem o suporte necessário para a execução de cesariana, é preciso fazer o preparo necessário para transferência a um local de referência (hospital) quando o processo de trabalho de parto ultrapassar a linha de alerta. Os ganhos registrados no nível hospitalar, com o uso do partograma, são sempre maiores que os do nível de casas de parto que confiam na referência hospitalar para as emergências e intervenções obstétricas.
O partograma não deve ser iniciado caso haja complicações na gestação/parto (por exemplo: eclâmpsia, hemorragia, etc), que requeiram uma ação imediata.

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DO TRABALHO DE PARTO PROLONGADO?
As consequências indiretas do trabalho de parto prolongado incluem a sepse materna, a hemorragia pós-parto e a infecção neonatal. A detecção precoce da progressão anormal do trabalho de parto e a prevenção do trabalho de parto prolongado podem reduzir significativamente o risco de hemorragia pós-parto e sepse, bem como eliminar o trabalho de parto obstruído, a ruptura uterina e suas sequelas.


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