domingo, 28 de fevereiro de 2016

TODA MULHER SABE PARIR?



A cultura do parto normal, a qualquer custo, tem gerado preocupação entre os médicos e ansiedade por parte das gestantes. Os obstetras são colocados contra a parede e questionados por suas condutas que pretendem manter a integridade da mãe e do bebê. As gestantes se sentem na obrigação de se “empoderarem” e ficam frustradas quando não alcançam esse objetivo.

Vimos este texto na net, escrito por uma professora universitária e mestre em obstetrícia e resolvemos compartilhar com vocês:


Fonte:http://fertile.com.br/?p=2016


"A maioria dos partos evolui bem, sem complicações. Mas a frase : "Toda mulher SABE parir", deveria ser complementada : " Toda mulher sabe parir, mas nem toda mulher PODE ou QUER parir". Essa frase " toda mulher SABE parir" , tem levado muitas mulheres a minimizarem os riscos e escolherem partos sem segurança. Parto sem médico na equipe, fora do ambiente hospitalar, com profissionais não capacitados que ignoram ou desafiam condutas . Uma roleta russa. Tem levado ainda muitas mulheres a depressão pós parto pela frustração de não conseguirem parto normal. Importante entender que existem fatores que independem da vontade e fatores imprevisíveis no parto. Todas sabem parir, mas algumas não podem e outras simplesmente não querem o parto normal.

Existem basicamente três categorias complicações possíveis, que podem limitar a escolha do parto normal e que mostram a importância do médico e do ambiente hospitalar:

1) Complicações clínicas ou obstétricas, diagnosticadas no pré-natal, que impedem o parto vaginal. A cesariana eletiva é indicada, por exemplo, em casos de cardiopatias complexas e placenta prévia total (mãe e/ou bebê morrem se for parto vaginal).


Fonte:http://static.tuasaude.com


2) Complicações mecânicas do parto:

O parto depende de 3 elementos: Feto, bacia e contração uterina. A contração é responsável por empurrar o feto através da bacia e dilatar o colo do útero.

Basicamente o trabalho de parto pode evoluir de três formas:

- o colo dilata e o bebê desce pela bacia no tempo esperado. Então com certeza a contração está boa (já que é a responsável por dilatar o colo e empurrar o feto). Tudo normal. 

- o colo não dilata. Logo a contração está ruim. Pode ser a quantidade (corrige com Ocitocina) ou a qualidade (corrige com anestesia) 

- o colo dilata. Logo a contração está boa, Porém o bebê não desce. Desproporção céfalo pélvica (não tem passagem)
Quando a dilatação e descida não acontecem no tempo certo, o trabalho de parto fica prolongado , o bebê pode entrar em sofrimento (ficar sem oxigênio) e o útero da mãe pode entrar em exaustão, causando hemorragia grave no pós parto. Logo, o toque vaginal é fundamental para o acompanhamento adequado do trabalho de parto e correção imediata das complicações. Muitas parteiras preconizam que não seja feito e apenas se acompanhe pelas contrações. Porém o número de contrações pode estar normal, mas o colo não dilatar (falta qualidade) ou o bebê não descer (não tem passagem) . Em caso de não conseguir reverter com medicação ou de desproporção, a cesariana é indicada.


Descida do feto pelo canal de parto.
Créditos na imagem


3) Complicações imprevisíveis :

No trabalho de parto pode acontecer prolapso de cordão (cordão sai pela vagina antes do bebê, deixando ele sem oxigênio); descolamento prematuro de placenta (a placenta descola com o bebê ainda dentro do útero, causando hemorragia grave e sofrimento fetal) . Muitas complicações clínicas também são possíveis no parto. São exemplos: pico hipertensivo, hemorragias, embolia. São complicações graves, que devem ser revertidas imediatamente com medicações ou procedimentos cirúrgicos feitos pelo MÉDICO , no HOSPITAL. O parto vaginal é fisiológico, deve sempre ser estimulado quando desejado, mas nem sempre é possível. 

Sempre vai ter quem diga que nunca complica, num discurso romântico e sedutor. Mas em busca de provar que sabem parir, muitas mulheres fazem escolhas onde perdem a vida ou o filho, em partos com assistência inadequada e em ambiente sem estrutura.
Saber parir é saber respeitar os limites e a vida. Independente da via do parto."

A lucidez deste texto nos remete ao post  Pato Real x Parto Ideal. Devemos estimular o parto normal, sempre que possível. Mas, o bom senso e a prática clínica podem indicar a cesariana como a melhor via de parto. E isso não torna nenhuma mulher "menos mãe", nem o obstetra, um vilão. 

Esse discurso autoritário, de que toda mulher sabe parir, não ajuda em nada. Só aumenta as chances de depressão. O parto é apenas o começo dessa grande jornada. O que define uma boa mãe não é a via de parto. Aliás, para ser mãe, nem é preciso carregar o filho no ventre e parir. 

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sábado, 13 de fevereiro de 2016

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O ZIKA


Uma ameaça tem apavorado as gestantes do Brasil, desde o final do ano passado: a provável associação do Zika vírus com a microcefalia.

Fonte: http://www.brasilpost.com.br

Um trabalho publicado, no dia 10/02/2016, no The New England Journal Of Medicine, uma das mais importantes revistas científicas do mundo, relatou um caso de uma eslovena que contraiu Zika no Brasil, no primeiro trimestre de gestação e voltou para a Europa com 28 semanas. Uma ultrassonografia revelou várias alterações no bebê, tais como restrição de crescimento, microcefalia e lesões cerebrais. A gestante pediu a interrupção da gestação e o feto foi examinado através de necrópsia, exames laboratoriais e microscopia. Os resultados foram impactantes e alarmantes: graves lesões no cérebro e presença de partículas virais no tecido cerebral. Nenhuma alteração ou presença do vírus foi detectada em outros órgãos ou tecidos, mostrando que o Zika tem preferência pelas células nervosas. O estudo mostra forte associação entre o vírus e as temidas malformações e sequelas fetais e neonatais.


Correlação entre imagens de ultrassom e de necrópsia 


Diante desse recente relato, a Globo News preparou uma matéria e convidou os especialistas Dr. Marcelo Burlá, Presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, e Dr. Edimilson Migowski, infectologista, para debaterem sobre o assunto. O resultado é um excelente vídeo, longo, mas que merece atenção a cada segundo, pois contém informações extremamente importantes e muito esclarecedoras sobre o tema. Segue o link DO VÍDEO na frase abaixo:
Pesquisas apontam indícios de que vírus da zika pode provocar microcefalia

Convocamos a todos a fazerem a sua parte no combate ao mosquito, como já mostramos em outras publicações. 


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