quinta-feira, 10 de março de 2016

Eu mulher e as várias outras que existem em mim, em nós - por Christiane Rezende

Dando sequência aos textos que homenageiam o "Março das Mulheres", convidamos a psicóloga Christiane Rezende, mãe e esposa, para nos falar da sua percepção e experiência como uma mulher que busca respeito e igualdade de direitos.

Foto: Sylvia Vartuli

Fui provocada por uma amiga deste blog (sim, na verdade este convite foi para mim uma provocação bem especial!) a escrever um texto sobre ser mulher dentro da minha perspectiva e vivência devido as comemorações ao Dia Internacional da Mulher. E como toda mulher, provocações são sempre desafiadoras e ainda estimulantes.

Pois bem, me veio então a cabeça de onde essa homenagem “oficial” começou, porque para mim, todos os dias são dias das mulheres que levantam cedo ou tarde, mas que nunca param a caminhada. Então, voltei no tempo e fiquei imaginando aquelas operárias de uma fábrica de tecidos, no dia 08 de março de 1857 em Nova Iorque. Naquele dia, ousadas e corajosas entraram em greve reivindicando por melhores condições de trabalho. Imaginem mais de 100 mulheres reunidas naquele tempo severamente machista, manifestando e exigindo coletivamente por direitos, equidade e justiça? Ao mesmo tempo absurdo para quem não concordava em ver mulheres daquela maneira “gritando” por seus direitos, mas necessário para a história de direitos humanos da mulher que ainda continua a seguir seu rumo.

E como acabou essa história? A mesma violência exacerbada que nos assola o dia a dia escancaradamente, seja contra a criança, jovem, mulher, idosa e homem (sim, todos nós estamos sofrendo com as violências da modernidade!) foi a que, ignorante e massacrantemente, atingiu aquelas mulheres que foram trancadas dentro da fábrica, incendiada, matando aproximadamente 130 tecelãs, mulheres, carbonizadas.

Aquelas mesmas mulheres representam as mulheres de hoje: a mulher mãe, a mulher esposa, a mulher crente, a mulher macumbeira, a mulher católica, a mulher hetero, a mulher lésbica, a mulher de família, a mulher puta, a mulher “piriguete”, a mulher que luta, a mulher que chora, a mulher... a mulher.... Que continua a caminhada descobrindo e se redescobrindo... Cheia de possibilidades, de sonhos, de lutas, de derrotas, mas também de vitórias.

E eu sou, nós somos, todas dessas mulheres em uma só! Não ousaria nos descrever e muito menos afirmar o que é ser mulher, mas posso dizer que um pouco de cada uma dessas mulheres e de outras que não coloquei aqui, existem dentro de mim (de nós), e se manifestam quando quero e preciso. E acredito que “essas mulheres” constituem na essência o que poderíamos dizer o que é ser mulher. Embora também há momentos que mesmo não podendo ou querendo algumas delas se manifestam em cada uma de nós dependendo das circunstâncias.

O mais importante é que o que realmente acho das mulheres é que elas, diante tantas qualidades, são extraordinariamente corajosas, portanto, eu sou corajosa. Sou mãe, esposa, profissional, filha, chefe, funcionária, dona de casa e pra completar lésbica. Complemento importante aqui somente porque eu não poderia deixar de citar diante a conjuntura de direitos LGBTT que têm sido conquistados. Pois, ser lésbica não me faz ser mais nem menos mulher, mas reafirma toda uma conjuntura de vida pessoal que também foi e continua sendo firmada de muita luta (não gosto muito dessa palavra, mas sinceramente não vejo outra que possa significar tanto como essa neste contexto) somada as de várias outras e diferentes mulheres.

Esse engajamento por conquistas já está em nós seres humanos, mas num mundo que prioriza o sexo masculino, acredito estar muito mais aguçado e diria afinado nas mulheres por serem capazes de fazer e ser tantas coisas ao mesmo tempo e ainda incansavelmente, como aquelas operárias de 1857, continuam firmes e ousadas para alcançarem direitos e igualdade.

E afinal, o que seria do mundo, sem a mulher? Não só pela importância da capacidade de gerar filhos, (hoje cada vez mais a tecnologia vem alçando voos de modo que em pouco tempo, acredito eu, isso não mais será uma única e exclusiva função da mulher), mas porque sem a mulher não conheceríamos o que é ser e ter real e verdadeiramente força, perspicácia, ousadia, sensibilidade, inteligência, coragem...


Então sigamos, continuemos a caminhada não somente porque ainda é preciso, mas porque sabemos muito bem onde nós queremos chegar.


Christiane Rezende é Psicóloga e Coordenadora da 
KNH Brasil Regional Sudeste e Centro-oeste

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3 comentários:

  1. Fantástico!!!! Parabéns pela percepção e sensibilidade!!! Somos e seremos sempre um exemplo de luta (sim, de luta)! E com isso, servindo de inspiração para nossos descendentes homens, como é o seu caso, que com certeza criará um grande cidadão!

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  2. Parabens, sempre seremos exemplo de luta e muito mais de grandes conquistas.

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  3. Parabens, sempre seremos exemplo de luta e muito mais de grandes conquistas.

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