quarta-feira, 9 de março de 2016

MULHER NA VISÃO DE UM HOMEM - por André L.R.M. Chaves

Como não poderia faltar, no "Março das Mulheres", convidamos um homem para falar da sua visão, percepção e convivência com elas. Segue o texto de André L.R.M. Chaves, médico, professor, neto, filho, irmão e amigo de mulheres incríveis, às quais presta a sua homenagem. Um texto sensível, que ressalta o importante papel da mulher na sociedade. 


André, sua  mãe e sua irmã


Alguns homens gostam de falar sobre esportes, outros sobre carros, outros sobre política, mas um assunto parece ganhar unanimidade, embora com abordagens bem diferentes: mulheres. 

E, cá estou, com o desafio de tratar de um tema central em minha vida e que, embora já tenha sido recorrentemente por mim abordado, se faz um desafio em resumir sem restringir. 

Minhas credenciais para o desafio é ser neto, filho, irmão, primo, colega de trabalho, médico, professor, amigo, ex-amante e ex-namorado de mulheres. No futuro (espero!) ser esposo e pai de mulher (exceção à regra, sempre me imaginei sendo pai de uma menina).

O primeiro desafio para um homem falar sobre mulheres sem se restringir, é, momentaneamente, colocar de fora a questão da sexualidade. A libido é um enorme fator de confusão para qualquer análise mais ponderada e menos esdrúxula sobre tudo que as mulheres são e representam em nossas vidas. Tendo isso em vista, por sagacidade, começarei falando, então, sobre mães.

Se existe uma expressão divina do amor entre um ser humano e outro, talvez o único amor plenamente incondicional, esse é o amor de uma mãe por seus filhos. Acredito que os filhos amem seus pais. Acredito que o pai ame seus filhos. Acredito no amor entre irmãos. Acredito no amor entre amigos. Acredito, inclusive, no amor romântico entre casais. Mas a sensibilidade mais atenta permite perceber que o amor de uma mãe por seus filhos está pelo menos um degrau acima. Salvo raras exceções, não existe doença, não existe deformidade, não existe falha humana em um filho que abale o amor de sua mãe. Há de se destacar, portanto, um dado aqui: a forma mais plena, pura e divina de amor está resguardada às mulheres. 

Mas, dito isso, eu que me formei no Útero de uma mulher e fui nutrido por seu amor e sabedoria, não poderia me limitar a esse aspecto. Independente da maternidade, a mulheres são as fontes inspiradoras do nosso Mundo. Suas características que percebemos como qualidades nos encantam. Suas características que percebemos como defeitos nos põem juízo. Basta dizer que, estatisticamente, homens casados vivem mais do que os solteiros. 

Nas famílias uma coisa é notória: as mulheres sempre são o cerne agregador. Filhos e maridos tendem a atitudes individualistas e impulsivas. As mulheres são o epicentro sobre o qual todos gravitam sem perder a unicidade e a coesão. É mais fácil conceber famílias funcionais sem homens do que sem mulheres. Eis a razão. 

Nas profissões, muitas das quais as mulheres começaram a participar há pouco mais de meio século, é inegável o altíssimo padrão de profissionalismo e dedicação. Nas duas profissões que exerço, ambas majoritariamente femininas, tenho nas minhas colegas padrões de excelência. Sempre com muito mais para me ensinar, do que para aprender. Orgulho-me de ter em muitas delas alguns de meus referenciais no bom exercício daquilo a que mais me dedico.

Mas, e o convívio entre homens e mulheres? Bom, eis a parte mais capciosa de meu breve texto (pelo menos no que se refere a vastidão do tema). Esse convívio notoriamente se modificou muito ao longo dos séculos. Enquanto o meio ambiente e as relações das sociedades humanas eram muito hostis, uma relação de proteção se fez necessária e, infelizmente, uma relação de dominação também acabou se estabelecendo. Mulheres, hora eram protegidas e subordinadas aos seus pais, hora eram protegidas e subordinadas aos seus maridos. Contudo, desde a segunda metade do século XX, sobretudo na cultura Ocidental, a mulher reivindicou e assumiu definitivamente sua independência e seu espaço e essas relações foram forcadas a mudar. As mulheres se tornaram plenamente capazes de se auto-sustentar, de se auto-realizar e se tornaram protagonistas de suas próprias histórias de vida. O homem que ainda não percebeu isso se encontra submerso, a bater a cabeça contra o muro de sua própria ignorância, sem saber como participar desse novo Mundo.

Mas uma coisa é certa: nenhum homem quer viver em um Mundo sem as mulheres, havendo, então, sempre a esperança na dedicação de ele querer, um dia, aprender. Isso desde que as mulheres não se submetam a relevar essa remanescente ignorância masculina.

Mas, que não nos confundamos. Em uma coisa, John Gray estava certo: homens são de Marte e mulheres são de Vênus. Por mais que devamos defender a plena igualdade de Direitos e Deveres entre homens e mulheres, jamais devemos pensar, por algum instante, que homens e mulheres são iguais. Isso é um erro primário no estabelecimento de relações saudáveis entre os dois gêneros. Nos diferimos em visão de Mundo, comportamento padrão, sensibilidade, humor e suas variações, suscetibilidade uns aos outros, sexualidade, etc, etc. A mulher que tentar entender um homem como se ele tivesse mentalidade feminina será tão fracassada quanto um homem que tentar entender uma mulher com se ela tivesse mentalidade masculina.

As mulheres são diferentes dos homens e minha única opinião sobre isso é: AINDA BEM! 

Por tudo isso eu exclamo: viva as mulheres! Precisamos muito de vocês em nossas vidas! Não desistam de nós homens!


André Luiz Rocha Mendes Chaves é Ginecologista e Obstetra e
Professor de Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFSJ

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