domingo, 19 de junho de 2016

PROCEDIMENTOS INVASIVOS

Já ouviu falar de amniocentese? Ou biópsia de vilo corial? Pois bem, este texto tenta explicar, de forma didática, o que são e para que servem os procedimentos invasivos em Obstetrícia.

O QUE É UM PROCEDIMENTO INVASIVO?

Na obstetrícia, em sua grande maioria, os procedimentos invasivos são feitos através da introdução de uma agulha longa e fina dentro do útero, com o objetivo de coletar amostras de material ou introduzir algum fluido. O exame é guiado por ultrassom, para que a agulha seja direcionada de maneira correta. Não precisa ser feito num Bloco Cirúrgico, pois se trata de um procedimento ambulatorial. Utiliza-se anestesia local, sem necessidade de preparo ou jejum. Após o procedimento, é indicado repouso de até 24 horas.


Técnica da amniocentese

É DOLOROSO?

Apesar do uso da anestesia local, há uma fina membrana (peritônio) pela qual a agulha passa, que não fica anestesiada. Então, nesse momento, a mulher pode sentir dor ou desconforto passageiro.

EXISTEM RISCOS?

Sim. Os riscos são variáveis e geralmente surgem na primeira semana após o procedimento, mas podem ocorrer até quinze dias depois. As principais são: rotura da bolsa de líquido amniótico, trabalho de parto prematuro, infecção, sangramento e óbito fetal. A frequência em que ocorrem também é variável, mas, para os procedimentos mais comuns, como amniocentese e biópsia de vilo corial, estima-se que esteja em torno de 1 para 200 (0,5%). Outro risco é a sensibilização de gestantes Rh negativo (incompatibilidade com o tipo de sangue do bebê), que pode ser facilmente evitado com o uso de imunoglobulina anti-Rh (uma espécie de vacina) até 72 horas após o procedimento.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE AMNIOCENTESE E BIÓPSIA DE VILO CORIAL?

A amniocentese coleta líquido amniótico (cerca de 20 ml) e pode ser realizada a partir da 15ª semana gestacional, dependendo da indicação. A biópsia de vilo corial coleta fragmentos da placenta primitiva (trofoblasto) e deve ser realizada no primeiro trimestre de gestação.

Amniocentese guiada por ultrassom 

PARA QUE SERVEM?

Os procedimentos invasivos podem ser diagnósticos ou terapêuticos, ou seja, para descobrir algum problema ou para tratá-lo.

QUAIS SÃO OS PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS?

Bem, vamos nos guiar pelas indicações.

Estudo genético

É possível diagnosticar algumas doenças do bebê, mesmo antes do nascimento. Dentre elas, as doenças cromossômicas (ex: Síndrome de Down) e alguns problemas genéticos (ex: Fibrose Cística, Anemia Falciforme, Talassemias).  No Brasil, o aborto não é permitido nesses casos. Mas o diagnóstico intra-útero pode ser oferecido e discutido com casais que apresentem algum fator de risco, dentre eles:
- idade materna igual ou superior a 35 anos
- história familiar de doenças genéticas ou cromossômicas
- exame de translucência nucal alterado
- achado de malformações fetais ao ultrassom
Anteriormente, nós mostramos a importância do ultrassom na gestação.

O exame também pode ser feito para teste de paternidade. Porém, vale a pena ressaltar que o risco pode não compensar o benefício, uma vez que, para questões jurídicas, novos testes serão solicitados após o nascimento.

Estudo de infecções congênitas

Através de uma técnica denominada PCR, o exame do líquido amniótico, coletado a partir da 18ª semana de gravidez, pode mostrar se o feto foi ou não infectado por alguma doença. Pesando riscos e benefícios, essa análise se torna especialmente importante nos casos de toxoplasmose congênita, pois o diagnóstico pode mudar o tratamento.

Estudo da maturidade pulmonar do feto

Em alguns casos específicos, especialmente em gestações de alto risco (ex: diabetes gestacional) e, pesando riscos e benefícios, se torna necessário avaliar a maturidade pulmonar do bebê para decidir a melhor época do parto. Através de uma análise de substâncias no líquido amniótico, é possível saber se há maturidade pulmonar e programar o nascimento.

Há outras indicações diagnósticas, mas são mais raras e específicas e não vamos nos ater a isso neste texto.

EXISTE ALGUM EXAME ALTERNATIVO?

Para diagnóstico das cromossomopatias mais comuns, sim. O NIPT (Teste Pré-Natal Não-Invasivo em Sangue Materno) é feito com uma amostra de sangue materno e não tem riscos. Um resultado negativo é tranquilizador. Porém, um resultado positivo precisa ser confirmado através de procedimentos invasivos.

Coleta de sangue para NIPT

QUAIS SÃO OS PROCEDIMENTOS TERAPÊUTICOS?

Vamos por partes.
 
Isoimunização Rh

Este problema ocorre por causa de um tipo de incompatibilidade sanguínea, quando a mãe (Rh negativo) começa a produzir anticorpos contra o sangue do bebê (Rh positivo), causando anemia e outras graves complicações. Na atualidade, vários tipos de exames de ultrassom permitem avaliar a presença e o grau de anemia no feto. Quando indicada, a transfusão de sangue fetal pode ser necessária e é realizada através de um procedimento invasivo.  

Punção de órgãos e cavidades

Algumas vezes, a presença de cistos (coleção de líquido) em órgãos ou compartimentos do bebê podem comprometer a formação normal de suas estruturas. Desta forma, pode ser necessário retirar o líquido e esvaziar os cistos, para que o desenvolvimento ocorra normalmente.

Há outros procedimentos, como derivações e cirurgias intra-útero, que podem curar o bebê ou, pelo menos, minimizar as consequências de uma malformação congênita.

DEVO FAZER UM PROCEDIMENTO INVASIVO?

Depende. Converse com seu obstetra. Questione sobre os riscos e benefícios da realização de tal procedimento. Busque todas as informações possíveis. Se necessário, procure a assistência de um especialista em Medicina Fetal. Pense de que forma isso vai fazer diferença na sua vida e do seu filho. Não existe fórmula, nem regra. Este texto visa esclarecer e orientar. Mas a discussão fica a cargo da família e do médico assistente. 


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