terça-feira, 18 de outubro de 2016

CESÁREA PRÉVIA - QUAL A MELHOR VIA DE PARTO?

Este texto foi produzido pelo Colegiado de Ginecologistas e Obstetras do Reino Unido (The Royal College of Obstetricians e Gynaecologists) e publicado em julho deste ano, tendo como foco as mulheres que foram submetidas à cesárea e gostariam de obter mais informações sobre as possíveis vias de parto em gestações futuras.

O Visão de Ilitia traz a tradução de trechos dessas informações para mulheres com histórico de cesariana(s) prévia(s).


Quais são as minhas opções de via de parto?

Se você já teve alguma cesárea anterior, existem duas opções de via de parto, com diferentes riscos e benefícios: Parto Vaginal Após Cesárea (VBAC - Vaginal Birth After Cesarean) e Cesariana Eletiva de Repetição (ERCS - Elective Repeat Cesarean Section). Alguns fatores são importantes e devem ser levados em consideração na sua escolha como:

- seu histórico médico e de suas gestações anteriores;
- a indicação da sua cesariana prévia;
- se você já teve ou não parto vaginal anterior;
- se você apresentou alguma complicação durante o parto ou na recuperação;
- o tipo da sua cicatriz uterina;
- como você se sentiu em relação aos partos anteriores;
- se a sua gestação atual apresentou alguma complicação; e
- quantas gestações futuras você planeja ter.


O que é VBAC?

VBAC é a sigla em inglês para Vaginal Birth After Cesarean, o que significa Parto Vaginal Após Cesárea. É o termo utilizado quando a mulher tem um parto vaginal com histórico de cesariana no passado. Parto vaginal inclui o parto normal e o instrumental (fórceps e vácuo-extração).


O que é ERCS?

ERCS é a sigla em inglês para Elective Repeat Cesarean Section, o que significa Cesariana Eletiva de Repetição. O procedimento é realizado geralmente após as 39 semanas de gestação, pois bebês nascidos de cesariana antes dessa data têm maiores chances de apresentar desconforto respiratório e de serem internados em UTI.


Quais são as minhas chances de sucesso de ter um VBAC?

Das mulheres que não apresentam intercorrências na gestação e que entram em trabalho de parto espontaneamente, cerca de 3 em cada 4 conseguem ter o parto vaginal (75%). Existem alguns fatores que aumentam a chances de ter um parto vaginal, como:

- se você já teve um parto vaginal antes ou depois de uma cesárea, as chances de ter outro parto vaginal aumentam para 80 a 90%;
- se o seu trabalho de parto se iniciar espontaneamente;
- se o seu Índice de Massa Corporal (IMC) for menor que 30.


Quais são as vantagens do VBAC?

- As mulheres que conseguem ter o VBAC apresentam menos complicações em comparação com a cesariana eletiva;
- Após um VBAC, aumentam-se as chances de sucesso em possíveis partos vaginais futuros;
- Sua recuperação será mais rápida, bem como o retorno às atividades do cotidiano;
- O tempo de internação hospitalar é menor;
- Maior possibilidade para o contato pele-a-pele e amamentação imediatos;
- Evita os riscos inerentes ao procedimento cirúrgico;
- Menor chance de problemas respiratórios iniciais no bebê.


Quais são as desvantagens do VBAC?

- Possibilidade de necessitar de cesariana de urgência durante o trabalho de parto. Este risco é de 1 em cada 4 mulheres (25%), sendo um pouco maior do que o risco de insucesso de tentativa de parto vaginal de primeiro filho que é de cerca de 1 em cada 5 mulheres (20%). Uma cesariana de emergência eleva em 3 vezes os riscos em comparação com a cesárea eletiva. As causas mais comuns de cesariana de emergência são o prolongamento do trabalho de parto e alterações do bem-estar fetal;
- Discreto aumento do risco de necessidade de transfusão de sangue comparado com o da cesárea eletiva;
- Risco de ruptura uterina é de 1 em cada 200 mulheres. Esse risco é aumentado de 2 a 3 vezes em caso de indução do trabalho de parto; Em caso de sinais de alerta, haverá a necessidade de realização de uma cesárea de emergência;
- Consequências mais sérias para a mãe e o bebê são raras, mas os riscos de injúria cerebral e morte neonatal são maiores no VBAC do que na cesárea eletiva, e são os mesmos do parto vaginal do primeiro filho;
- Possibilidade de evoluir para parto instrumental com o uso de fórceps ou ventosa;
- Possibilidade de laceração envolvendo os músculos do esfíncter anal e reto (lacerações de terceiro e quarto grau).


Quais gestantes podem tentar o VBAC?

O parto vaginal pode ser oferecido para a maioria das mulheres com histórico de cesariana anterior que apresentam gestação de feto único, cefálico e com mais de 37 semanas. Em caso de tentativa de VBAC, o trabalho de parto deve ser monitorado continuamente e conduzido em um centro de expertise que ofereça recursos cirúrgicos imediatos e assistência avançada de ressuscitação neonatal.


O que é VBAC2?

É o parto vaginal em mulheres que apresentam 2 cesarianas anteriores. As mulheres que desejam ter um parto vaginal após duas cesáreas devem ser orientadas pelo médico obstetra dos riscos aumentados de ruptura uterina e morbidade materna.


Quando o VBAC é formalmente contra-indicado?

- No caso de 3 ou mais cesáreas prévias;
- Em caso de cicatriz uterina vertical; 
- Na presença de outras complicações que indiquem a necessidade de realizar cesariana.


Quais são as vantagens da Cesariana Eletiva de Repetição (ERCS)?

- Menor risco de ruptura uterina (1 em 1000);
- Evita os riscos inerentes ao trabalho de parto e os riscos para o bebê são raros (2 em 1000);
- Você poderá planejar a data do nascimento. No entanto, 1 em cada 10 mulheres entram em trabalho de parto antes da data marcada;


Quais são as desvantagens da Cesárea de Repetição?

- Maior tempo operatório devido aos tecidos cicatriciais da cesárea anterior, o que pode levar a danos de intestino ou de bexiga durante a cirurgia;
- Possibilidade de infecção;
- Maior risco de trombose nos membros inferiores e embolia pulmonar;
- Maior tempo de recuperação;
- Impossibilidade de dirigir por 6 semanas após a cirurgia;
- Maior probabilidade de necessitar de novas cesarianas em gestações futuras;
- Aumento do risco de inserção anômala da placenta, o que pode resultar em sangramento e até histerectomia;
- Aumento do risco de desconforto respiratório ao nascer. Isso ocorre em 4 a 5 bebês de cada 100 nascimentos por cesárea eletiva após as 39 semanas; No caso de VBAC, o risco é de 2 a 3 em cada 100 nascimentos e para cesarianas com 38 semanas, é de 6 em 100.


Quero ter um VBAC, como devo proceder se eu entrar em trabalho de parto?

Entre em contato com seu médico assim que você achar que entrou em trabalho de parto ou se a sua bolsa romper. Você deverá ser aconselhada a se dirigir para o hospital, pela possibilidade da necessidade da cesárea de emergência em 25% dos casos. Os batimentos cardíacos deverão ser monitorizados continuamente durante o trabalho de parto. Essas medidas são para detectar precocemente sinais de complicações e assegurar o bem-estar fetal.


Em Resumo:

- Se você é saudável, teve uma gestação sem intercorrências e está dentro do peso recomendável, ambos VBAC e ERCS são opções seguras e de baixo risco;
- 3 em cada 4 mulheres com histórico de cesariana anterior e que apresentam uma gestação sem intercorrências entram em trabalho de parto espontaneamente e ganham o bebê por via vaginal;
- 25% das mulheres com cesárea prévia serão submetidas a uma cesariana de urgência, por complicações durante o trabalho de parto;
- 9 em cada 10 mulheres com passado de parto vaginal, terão sucesso no VBAC;
- Cesarianas de repetição aumentam o risco de complicações em gestações futuras;
- O VBAC de sucesso (75%) apresenta menos riscos de complicações;
- Cesáreas de emergência apresentam 3x mais riscos que as eletivas.



Fontes:

https://www.rcog.org.uk/globalassets/documents/patients/patient-information-leaflets/pregnancy/pi-birth-options-after-previous-caesarean-section.pdf

https://www.rcog.org.uk/globalassets/documents/guidelines/gtg_45.pdf

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