quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Parteiras põem fim à campanha "Parto Normal" na Inglaterra.



 Fonte: The Guardian


O Royal College of Midwives (RCM) iniciou a campanha do “Parto
Normal” em 2005 a fim de encorajar as gestantes a terem um parto
sem intervenções médicas, incluindo indução, anestesia e cesarianas.

O sindicato das parteiras inglesas começará a usar o termo “parto fisiológico” para descrever aqueles que ocorrem sem intervenções - como parte de uma revisão de diretrizes profissionais - mas não mudará sua visão de que o parto sem intervenção médica é o melhor para muitas mulheres.

Na Inglaterra, 40% das mulheres dão a luz sem nenhum tipo de intervenção médica.

A professora Cathy Warwick, presidente-executiva da RCM, negou que a campanha de mais de uma década tenha comprometido a segurança das mães, mas admitiu que criou uma impressão errada. "Havia um perigo de que, se você falasse apenas sobre partos normais - e, particularmente, se você chamar isso de campanha – soasse como se você estivesse apenas interessada em mulheres com parto vaginal sem intervenções”, disse ela ao jornal The Times.

“O que nós não queremos, de forma alguma, é contribuir, em qualquer sentido, com a crença de que uma mulher tenha falhado porque não teve um parto vaginal. Infelizmente, parece ser como algumas mulheres vêm se sentindo".

A campanha foi criticada em um inquérito sobre a morte de dezesseis bebês e três mães no Hospital Geral Furness, em Cumbria, entre 2004 e 2013.

A investigação descobriu que uma "combinação letal" de falhas levou a mortes desnecessárias de onze bebês e uma mãe tratados na maternidade do hospital, que é parte do sistema público de saúde britânico.

O inquérito demonstrou que as parteiras, que se intitulavam "as mosqueteiras", expuseram as gestantes a partos inseguros devido ao desejo de ver essas mulheres terem um parto vaginal, sem intervenção médica, "a qualquer custo".

O relacionamento com os médicos foi descrito como "seriamente disfuncional", com relatos de parteiras negligenciando alertar os médicos, em tempo hábil, sobre as complicações das pacientes.

O inquérito, presidido pelo Dr. Bill Kirkup, relatou que os serviços da maternidade do hospital foram tomados por uma cultura de negação, coluio e incompetência. Kirkup, após a publicação do relatório em março de 2015, disse: "Nossas descobertas são críticas e catalogam uma série de falhas em quase todos os níveis: da maternidade aos responsáveis ​​pela regulação e pelo monitoramento. A natureza desses problemas é séria e chocante".

A professora Cathy Warwick disse que não acreditava que as parteiras tivessem falhado na campanha de "partos normais" por terem pensado que isso significaria forçar o nascimento vaginal acima das normas de segurança.

"Claramente, algumas parteiras foram identificadas tendo esse tipo de conduta, mas não tenho provas de que foram encorajadas por qualquer conduta ou recomendação da RCM".

James Titcombe, cujo filho Joshua foi um dos bebês que morreram no hospital Furness, comemorou o fim da campanha. "Esta foi uma campanha direta e franca destinada a influenciar a forma como as parteiras tomavam decisões em momentos absolutamente críticos. Foi implementada sem qualquer avaliação de risco, teste ou avaliação e acredito que teve consequências desastrosas", disse ele.

Em relação à mudança na linguagem que fará parte da nova iniciativa, Cathy Warwick disse: "Parece que esta palavra "normal "é particularmente tendenciosa... é mais simples usar uma palavra sem julgamento de valor. Por causa desse tipo de inferência, haverá casos em que você explicará melhor sua posição ao usar termos como "nascimento fisiológico".

Em junho, a ex-gerente de risco de maternidade do Hospital Geral de Furness disse ao Conselho de Enfermagem e Obstetrícia que deveriam afastá-la. Jeanette Parkinson admitiu que não havia investigado as falhas de uma colega sobre as mortes dos bebês no hospital e que sua própria aptidão para atuar como parteira sênior estava comprometida. Ela é a sétima parteira a ser investigada como resultado do escândalo.

Uma investigação sobre o tratamento das queixas contra as parteiras pelo Conselho de Enfermagem e Obstetrícia foi anunciada, na semana passada, pelo Departamento de Saúde. A investigação será conduzida por autoridade profissional e analisará a capacidade do Conselho de Enfermagem e Obstetrícia de gerenciar e administrar queixas, bem como sua relação com as testemunhas.

A revisão deverá demorar seis meses.

3 comentários:

  1. Acredito que façamos realmente sentido a alteração na denominação do parto.A expressão "Parto normal ",creio,pode ser empregada em parto com intervenção de outra ordem que não a fisiológica. Sem encontrar uma expressão melhor aplicável, sempre tratei como "Parto Natural "

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  2. Paulo Afonso Marcus20 de agosto de 2017 15:37

    Estão pagando pelos próprios erros ao induzir, estimular e até forçar as gestantes ao parto natural, de preferência nas próprias residências e sem a presença de médicos no acompanhamento da evolução dos partos. Era mais do que óbvio que estas atitudes após alguns anos, iriam impactar nos estudos retroativos, dos casos de mortes maternas e principalmente de mortes perinatais dos recém-nascidos. É A TAL DA MORTE ANUNCIADA. É uma pena que para constatar esta desgraça, tenham que ter sido perdidas tantas vidas que poderiam não o terem sido e infelizmente serviram apenas para os números de casos nos estudos retroativos. Já foram, não voltam mais!!!

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    1. Outra aberração que precisa ser eliminada é o tal " parto humanizado" , como se os outros fossem cruéis e desumanos. Essa cruzada xiita levada ao extremo no Rio de Janeiro levou à muitas mortes maternas e fetais que foram convenientes não divulgadas por uma razão simples: as mães e a familia estavam de acordo. Preferem o silêncio para não admitir em público o equívoco de suas decisões. Se investigarem os hospitais públicos que embarcaram nessa obsessão petista de acabar com as cesareas a qualquer preço verão no "follow up" a legião de crianças sequeladas.

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