quinta-feira, 26 de outubro de 2017

COMO SABER SE VOCÊ TEM ENDOMETRIOSE?


A endometriose é uma doença que atinge milhares de mulheres em idade reprodutiva. Muitas vezes silenciosa, outras, nem tanto. Geralmente, só é descoberta após muitos anos de dores ou dificuldades para engravidar. Isto porque não há, até o momento, um exame acessível, sensível e não invasivo, capaz de diagnosticar todas as formas da doença. Em certos casos, a endometriose só pode ser descoberta por meio da videolaparoscopia, um procedimento cirúrgico feito com anestesia geral. Por isto, não é um procedimento feito de forma liberal e há critérios para sua indicação.

A endometriose é encontrada em três formas nas mulheres acometidas: endometriose superficial, cistos endometrióticos ovarianos e endometriose profunda infiltrativa. As lesões superficiais, quando isoladas, constituem a forma da doença que requer a realização de laparoscopia para ser diagnosticada. Estas lesões não são identificadas por métodos de imagem e não há um exame de sangue com boa performance para diagnóstico. Elas são pequenas, mas podem causar grandes desconfortos.

Já o cisto endometriótico ovariano (endometrioma), tem um aspecto bastante típico e é de fácil suspeição ao ultrassom, sendo, muitas vezes detectado no exame endovaginal. As lesões profundas infiltrativas também podem ser vistas ao ultrassom, mas requerem um exame mais aprofundado, realizado por profissional especializado, com treinamento neste tipo de exame.

Ovário direito acometido por endometrioma - imagem de ultrassom endovaginal

As lesões não têm aparência única e não estão, necessariamente, no útero e nos ovários, órgãos em que os ultrassonografistas se focam ao realizar o exame endovaginal. Ao contrário, apresentam-se em formas e localizações variadas, nos diversos órgãos e estruturas pélvico-abdominais. Muitas vezes de pequenas dimensões, passam comumente despercebidas nos exames ultrassonográficos rotineiros.

Imagem de foco de endometriose infiltrativa ao ultrassom endovaginal 

É necessário preparo intestinal e avaliação por um ultrassonografista treinado para se documentar as lesões e permitir, a partir daí, uma abordagem resolutiva, adequada a cada caso. O exame é detalhado e pode ser feito em qualquer fase do ciclo. Algumas vezes, durante o período menstrual, as lesões tornam-se mais sensíveis, o que pode facilitar sua detecção. Após este exame, podem ser necessários outros como urorressonância, ressonância magnética da pelve ou colonoscopia. Cada um deles é indicado conforme os locais acometidos e as lesões detectadas pelo ultrassom. O médico especialista poderá indicar com precisão os passos seguintes.

No entanto, para que o diagnóstico seja feito, é necessária a suspeição clínica. O médico ginecologista deve estar atento às queixas de suas clientes, realizar exame clínico detalhado e solicitar que o ultrassom seja feito por profissional habilitado. É imprescindível que paciente e médico identifiquem, juntos, os sintomas. Dor pélvica e cólica menstrual não são “coisas normais das mulheres”. Assim como a infertilidade, a dor pélvica, seja ela contínua ou restrita ao período menstrual, durante o ato sexual, a evacuação ou micção, deve ser valorizada e investigada. É aí, na suspeita clínica, dá-se início à investigação, com o ultrassom realizado por profissional experiente como primeira linha de exame. E assim, com diagnóstico adequado, pode-se tratar adequadamente e minimizar o sofrimento causado pela endometriose.


Por Profª. Dra. Márcia Cristina França Ferreira 
(texto original em www.dopsom.com.br)
Professora adjunta do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG
Especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da UFMG
Doutora em Fisiologia pela UFMG/University of Texas
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